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terça-feira, 28 de janeiro de 2025

Miniconto - Quando Os Sons Adormeceram (Clene Salles)

Quando os Sons Adormeceram (Clene Salles)




Com a chegada inesperada da noite, de maneira involuntária, tudo adormeceu. 

Que sono tão profundo, pegajoso, arrastado...

Que transitoriedade seria aquela?

Na manhã seguinte, os sons da natureza, dos equipamentos e das vozes humanas desapareceram por completo.

O silêncio, imperioso e autoritário, tornou-se absoluto.

Perdidos e inconformados, todos corriam de um lado para outro — inclusive os objetos. 

Um lampião derrubado rolava pela rua como se fugisse de um perigo invisível: sonhava que o fogo corria atrás dele. Cadeiras se arrastavam desajeitadas, tropeçando as pernas umas nas outras, enquanto pequenos copos de vidro pensavam tilintar, mas apenas trincavam em si mesmos, num ritmo peculiar – impossível saber o que celebravam. A bagagem de um viajante saltava entre as calçadas, como se buscasse um trem que jamais chegaria.

O artista, sentado no chão de terra, resiliente e, ainda assim, convicto, decidiu pintar. Cada pincelada parecia querer quebrar o silêncio que insistia em permanecer. 

Aquilo era opressor. 

Suas mãos se moviam com uma liberdade desafiadora, ignorando a ausência de ruídos e o caos que os objetos provocavam ao seu redor. 

Se nada poderia ser ouvido, nada deveria ser falado. 

A garotinha, ali abandonada, encostada a poucos passos dali, observava aquele ambiente com o queixo apoiado nos joelhos. 

Ela entendeu rápido que os sons haviam sumido. 

Seus olhos, perdidos entre a inevitável melancolia e uma curiosidade desconcertada, seguiram o movimento daquele pincel que criava uma pequena estrela em tons de púrpura e dourado, num fundo que oscilava entre rosa antigo, lilás e azul escuro. 

Ela se aproximou devagar, como se tentasse se manter em pé num chão esponjoso dentro de sonho ofegante, frágil. Estendeu o dedinho indicador, tocando a estrela ainda úmida de tinta.

De repente, sentiu um arrepio subir pela espinha, uma brisa gélida tomou conta.

"Estou bem atrás de você."

A voz era suave, sussurrada, com um tom de ossos quebradiços, mas timbrava como se pertencesse a uma época esquecida. 

A garotinha virou-se, com os olhos arregalados, numa taquicardia confusa, e mãos trêmulas. 

Uma harpa dedilhava a si mesma. A poeira se ergueu num redemoinho leve, como se apontasse uma presença.

O artista soltou seus olhos da pintura por um instante. Tentou esboçar um sorriso, mas preferiu manter-se indiferente. Voltou-se e continuou a pintar.

A garotinha engoliu em seco e fixou o olhar na estrela que acabara de tocar: ela pulsava. 


Por: Clene Salles (todos os direitos reservados) 





Olá, eu sou Clene Salles, Ghost Writer, Escritora, Copydesk, Tradutora e Presto Serviços de Mentoria Literária para Escritores Iniciantes. 

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Júlio de Andrade Filho

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Sidney Guerra

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segunda-feira, 6 de maio de 2024

Qual a diferença entre nanoconto, microconto e miniconto?

 



Conheça aqui a diferença entre nanoconto, microconto e miniconto e veja o exemplo de cada um deles!


Antes, vou comentar sobre... 

Objetivo: O nanoconto busca provocar impacto com a brevidade, enquanto o microconto explora a concisão narrativa e o miniconto se aproxima (levemente) da estrutura do conto tradicional.

Leitura: O nanoconto e o microconto exigem leitura atenta e reflexão, devido à sua brevidade. Já o miniconto permite uma leitura mais fluida.

Formatos: O nanoconto pode ser encontrado em tweets, piadas ou frases curtas. O microconto pode ser publicado em sites, revistas ou livros. Já o miniconto possui maior flexibilidade, podendo ser publicado em diversos formatos. 

Utilidade: Estimula a imaginação, criatividade, curiosidade, pesquisas; ajuda no desenvolvimento da escrita criativa; é ótimo para ajudar estrangeiros que estão aprendendo a Língua Portuguesa e o contrário também, quando estamos estudando outro idioma. 

O principal? Podemos nos divertir bastante! 

Lembre-se:

Tanto o nanoconto, como o microconto, e miniconto precisam ser impactantes. 




Nanoconto

(Uma narrativa com até 50 letras sem contar espaços e caracteres espaciais.)

 

Exemplos:

"Digitou: “Quero me perder”; abriu-se o Google Maps."

"Fui ler um livro e o livro me leu."

 


Microconto

(Uma narrativa com até 150 letras sem contar espaços e caracteres espaciais.)

 

Exemplos:

"NEWS! Vampiro muda estilo de vida: arrancou os caninos, só come vegetais ao alho e óleo, e decidiu ser cientista. Seu projeto? Desenvolvimento de um protetor solar eterno." 

"O punho direito cerrado. Com o espelho recém quebrado, pôde ver a realidade estilhaçada e sua imagem destorcida. A alma agora duvida sua própria identidade."



Miniconto

(Uma narrativa que contenha entre 300 e 600 letras sem contar espaços e caracteres espaciais.)

 

Exemplo:

"Com a chegada inesperada da noite, estranhamente todos adormeceram profundamente.

Na manhã seguinte, os sons da natureza, dos equipamentos e das vozes humanas sumiram por completo.

O imperioso, tão autoritário silêncio tornou-se absoluto. 

Confusos e inconformados, todos corriam de um lado para outro. Inclusive os objetos.

O artista sentado no chão de terra, resiliente e bastante otimista, decidiu pintar. A garotinha triste tocou com o dedinho indicador uma pequena estrela que ele acabara de colorir.

Curiosamente ela podia ouvir: “Estou bem atrás de você tocando harpa”.

Voltou-se e nada viu."

 

E, me conte... Gostou?

E que tal escrever seu livro ou e-book com nanocontos, microcontos e minicontos? Ou quem sabe, junte uns amigos/as e façam uma divertida coletânea?

 

 

Olá, Eu sou Clene Salles, Ghost Writer, Copydesk, Tradutora, Escritora e Presto Mentoria Literária para Autores Iniciantes. 

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Além disso, dou palestras: "Eu quero escrever um livro... E agora?" - noções básicas do que é um livro e como escrever; "Costurando fragmentos, escrevendo biografias" - o passo a passo para criar uma biografia, autobiografia ou autoficção"; "Eros e Psiquê - o arquétipo mitológico do amor romântico". 

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