Autoestima, autorrespeito, amor-próprio, autoconfiança… por que confundimos tanto essas ideias?
Diferenças entre autoestima, amor-próprio, autorrespeito (entre outros) e como esses conceitos influenciam a forma de viver, conviver e escrever.
Antes de falar em autoestima, amor-próprio, autoconfiança, e os demais....
Existe algo mais básico e, ao mesmo tempo, mais difícil: perceber a si mesmo com alguma clareza.
Autopercepção é a capacidade de notar como reagimos, como pensamos, como nos posicionamos diante das situações.
Autoconhecimento é o passo seguinte, quando aquilo que foi percebido começa a fazer sentido, revela padrões, mostra limites, revela também forças que nem sempre sabíamos que estavam ali.
Sem esses dois pontos de apoio, as palavras que usamos para falar de nós mesmos se tornam imprecisas.
A pessoa diz que precisa de mais autoestima quando, na verdade, sente que talvez o direito de ocupar um espaço esteja sendo (todo dia, toda hora) deslocado, onde o espaço que lhe pertence parece se desfazer.
Fala em amor-próprio quando o problema é não saber (talvez) estabelecer limites.
Busca autoconfiança, mas provavelmente esteja com dificuldades de assumir responsabilidades. Em outros casos, acredita estar se respeitando, quando apenas repete regras que nunca chegou a examinar ou questionar.
Existem dois outros conceitos que é oportuno revisarmos: autoaceitação — que não é resignação abatida, pálida: é o ponto de partida para ajustar novos caminhos; autocrítica — quando é construtiva funciona como uma bússola para o aperfeiçoamento pessoal e na escrita; ao focar em soluções e aprendizado, mas torna-se "estranhamente delicada" quando se transforma em um julgamento constante, severo e punitivo que paralisa a ação e corrói a autoestima.
Outro motivo para tanta confusão é que essas qualidades não existem isoladas.
Elas se formam na relação com o mundo, com o grupo e com as experiências que acumulamos ao longo da vida.
Podem se enfraquecer, podem se tornar rígidas, podem se distorcer, podem até se transformar no oposto daquilo que deveriam ser. O mesmo traço que sustenta alguém em certas circunstâncias, em outras pode deixar a pessoa/personagem sem energia, confusa...
Por isso, distinguir alguns desses conceitos não é um exercício teórico. Ajuda a compreender por que reagimos como reagimos (e os personagens também) — e colabora com quem escreve para construir personagens menos esquemáticos e mais humanos.
A seguir, organizo (porque fiz uma demorada pesquisa) algumas dessas ideias, não como definições fechadas, mas como pontos de referência; levando em conta também que além de escritora, ghost writer, copydesk, tradutora, por muitos anos atuei também na área de terapias complementares.
Autoestima: o lugar que eu sinto que ocupo
A autoestima costuma ser entendida como o valor que damos a nós mesmos, mas esse valor não nasce no/do vazio. Ele se forma sempre em relação ao ambiente, às pessoas com quem convivemos, às expectativas que nos cercam, com tudo o que conseguimos desenvolver (em termos de capacitação (também!)).
Há momentos em que nos sentimos adequados, capazes, pertencentes. Em outros, a sensação é de deslocamento, como se estivéssemos fora do lugar. Essa oscilação faz parte da própria natureza da autoestima, e é inerente a experiência humana.
Quando ela se fragiliza, qualquer comparação parece desfavorável; e se infla demais, surge a necessidade de provar superioridade ou de disputar espaço o tempo todo.
Em um ponto mais estável, a pessoa consegue reconhecer suas qualidades sem perder a noção de que faz parte de um conjunto maior.
Autoestima não é sentir-se melhor que os outros, nem pior. É conseguir situar-se e ao localizar-se sentir-se bem com isso e diante disso.
Autorrespeito: o limite interno e que, quando necessário, deve reverberar no externo
Trata-se de algo mais silencioso: a percepção de que existe um ponto além do qual não devemos ir contra nós mesmos.
Esse limite nem sempre é fácil de identificar, porque muitas vezes ele se mistura com normas aprendidas, crenças herdadas ou expectativas externas.
Há pessoas que se dizem firmes em seus princípios, quando na verdade apenas repetem regras "adquiridas" e nunca pararam para refletir se isso realmente tem conexão com sua essência pessoal.
Há outras que, com medo de parecerem duras, acabam cedendo onde não deveriam.
Quando o autorrespeito se enfraquece, a pessoa tolera o que a fere, e no momento em que se torna rígido demais, transforma-se em inflexibilidade, orgulho ou incapacidade de rever posições.
Entre a submissão e a rigidez existe um ponto mais difícil, onde a pessoa consegue manter a própria dignidade sem precisar endurecer.
Amor-próprio: não se abandonar, mesmo quando falha
Amor-próprio costuma ser confundido com autoestima, mas não é a mesma coisa.
A autoestima varia conforme o que acontece; o amor-próprio aparece justamente quando as coisas não saem como gostaríamos.
Ele se revela na maneira como tratamos a nós mesmos depois de errar, perder, decepcionar ou fracassar.
Algumas pessoas se atacam sem piedade. Outras se protegem tanto que deixam de reconhecer qualquer responsabilidade.
O amor-próprio não está nem na autocrítica cruel nem na indulgência permanente. Está na capacidade de continuar do próprio lado, sem negar o erro, mas sem transformar o erro em condenação.
Quem não desenvolve esse cuidado interno passa a depender demais da aprovação alheia — ou, no extremo oposto, se fecha em uma defesa constante.
Autoconfiança e autoeficácia: acreditar, agir, responder pelas consequências
Autoconfiança diz respeito à sensação de ser capaz de realizar algo.
Ela costuma variar conforme a área da vida, a experiência e o contexto. Alguém pode sentir segurança no trabalho e hesitar diante de situações afetivas, ou o contrário.
Já a autoeficácia tem uma nuance diferente. Está ligada à percepção de que nossas ações produzem efeitos, de que aquilo que fazemos interfere no resultado, mesmo quando não controlamos tudo.
Quando essa percepção falta, surge a sensação de impotência: nada depende de mim, nada adianta, nada muda.
E na fase onde há exagero, aparece a ilusão de controle absoluto, como se tudo fosse consequência exclusiva da própria vontade.
Entre esses extremos está a responsabilidade pessoal, que não significa carregar o mundo nas costas, mas reconhecer onde podemos agir e onde precisamos aceitar limites.
Para quem escreve, isso é muito visível: há quem espere inspiração, e há quem escreve mesmo assim.
Autovalor: a sensação de dignidade que não depende de comparação
Autovalor é mais profundo do que autoestima.
Não se baseia em desempenho, aprovação ou reconhecimento, mas na sensação de que a própria existência tem consistência, há relevância em relação a algum contexto e merece consideração, validação.
Quando esse fundamento é instável, a pessoa precisa demonstrar (exaustivamente) o tempo todo que merece estar onde está.
E se distorce, pode surgir a crença de que apenas ela tem valor, e que os outros são descartáveis.
Há um aspecto pouco comentado aqui: o autovalor dificilmente se sustenta quando não conseguimos perceber valor no/do outro.
Quem só enxerga defeitos ao redor costuma viver em permanente ameaça, como se o próprio valor estivesse sempre em risco.
O escritor/a pode se empenhar em reconhecer dignidade fora de si não diminui a própria. Ao contrário, costuma fortalecê-la.
Autoconceito
Imagine que alguém te pergunta, diretamente: quem você é? A resposta que
você daria — em voz alta ou só dentro de si — é o seu autoconceito. Ele é feito
de palavras, de crenças, de memórias que se solidificaram em identidade. É a
frase que começa com "eu sou": criativa, tímido/a, forte, difícil de amar, capaz.
O autoconceito é relativamente estável. Ele não muda a cada manhã ruim ou
a cada elogio recebido. É uma estrutura — às vezes libertadora, às vezes traz o sentimento de estarmos enlatados num conceito ou pré-conceito.
Escritores conhecem bem esse fenômeno: personagens com autoconceitos
rígidos são personagens que precisam ser sacudidos pela história para
crescerem.
Autocompaixão e autocuidado: sustentar-se sem se poupar de viver
Autocompaixão é a capacidade de olhar para a própria dor sem transformá-la em sentença.
Não se trata de fazer-se de vítima, mas de não acrescentar mais violência ao que já machuca, ou de uma experiência que deu errado.
Algumas pessoas se tratam com uma dureza que jamais usariam com alguém querido. Outras se protegem tanto que evitam qualquer confronto com a realidade. Nenhum dos dois extremos ajuda muito.
Autocuidado, por sua vez, não é um sentimento, mas um conjunto de atitudes concretas: preservar a própria energia, respeitar limites físicos e emocionais, saber quando parar, quando pedir ajuda, quando insistir.
Sem esse cuidado, a pessoa se desgasta; já em demasia, pode acabar se afastando da vida e talvez enfraquecendo a história ou até mesmo o arco narrativo; o bacana é quando o personagem, por si próprio percebe essas diferenças.
O ponto de sustentação não está na perfeição, mas na continuidade. Compreendo que é bom ter em conta a força da interdependência.
Por que isso importa, na vida e na escrita
Na prática, raramente dizemos, sentimos, percebemos com precisão o que está acontecendo.
Chamamos de insegurança aquilo que é medo de perder o lugar. Falamos em amor-próprio quando o problema (às vezes) é orgulho ferido. Atribuímos (em alguns momentos) à falta de confiança o que, na verdade, tem a ver com responsabilidade que ninguém quer assumir, e que cá entre nós, tanto na escrita como na vida, responsabilidade é algo que aprendemos (passo a passo) a construir — não nascemos e nem nos tornamos responsáveis do dia para a noite.
Quando esses conceitos se confundem, as relações ficam tensas sem que saibamos exatamente por quê.
Na literatura acontece o mesmo. Personagens se tornam rasos quando tudo se resume a “baixa autoestima” ou “excesso de ego”. Histórias ganham outra dimensão quando conseguimos perceber se alguém está lutando por reconhecimento, tentando preservar a própria dignidade, fugindo de si mesmo ou tentando provar que merece existir.
Te deixo um link aqui para criar fichas de personagens — o que pode ajudar bastante no processo.
Autopercepção e autoconhecimento não resolvem todas as contradições, mas tornam possível enxergá-las com menos ilusão. E, muitas vezes, é só a partir daí que alguma mudança começa.
Por fim, um ponto importante para compartilhar com você que está aqui lendo (obrigada!): bem, seja na realidade ou na ficção, tais conceitos podem demandar investigação médica. Alguém que enfrente baixa autoeficácia, por exemplo, talvez apresente desequilíbrios fisiológicos que um profissional deva avaliar — visto que diversos distúrbios afetam a produtividade. Essa dinâmica enriquece a narrativa; uma personagem constantemente exausta na faixa dos 50 ou 60 anos pode, na verdade, estar atravessando os efeitos da menopausa.
Sobre mim :)
Olá! Eu sou Clene Salles, Ghost Writer, Copydesk, Tradutora (Espanhol/Português); Presto Serviços de Mentoria Literária para Escritores Iniciantes; também trabalho com AstroEscrita.
Além disso, para quem não sabe, eu sou Astróloga, Orientadora de Feng Shui e Litoterapeuta (segundo a tradição da MTC) há mais de 40 anos (sim, eu comecei bem jovenzinha (risos)).
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Fontes consultadas:
https://www.scielo.br/j/estpsi/a/Zk6jY3PcvQYG5tZdXKg8fsk/?format=html&lang=pt
https://www.uniacademia.edu.br/blog/o-que-e-autoconhecimento
https://www.psychologytoday.com/us/blog/the-main-ingredient/202303/self-confidence-vs-self-esteem
https://www.psicologossaopaulo.com.br/blog/autocompaixao/






