domingo, 22 de março de 2026

Diferença entre autoestima, amor-próprio e autoconfiança (entre outros) — e o que isso tem a ver com a escrita

Autoestima, autorrespeito, amor-próprio, autoconfiança… por que confundimos tanto essas ideias?



Diferenças entre autoestima, amor-próprio, autorrespeito (entre outros) e como esses conceitos influenciam a forma de viver, conviver e escrever.


Antes de falar em autoestima, amor-próprio, autoconfiança, e os demais....

Existe algo mais básico e, ao mesmo tempo, mais difícil: perceber a si mesmo com alguma clareza. 

Autopercepção é a capacidade de notar como reagimos, como pensamos, como nos posicionamos diante das situações.

Autoconhecimento é o passo seguinte, quando aquilo que foi percebido começa a fazer sentido, revela padrões, mostra limites, revela também forças que nem sempre sabíamos que estavam ali.

Sem esses dois pontos de apoio, as palavras que usamos para falar de nós mesmos se tornam imprecisas. 

A pessoa diz que precisa de mais autoestima quando, na verdade, sente que talvez o direito de ocupar um espaço esteja sendo (todo dia, toda hora) deslocado, onde o espaço que lhe pertence parece se desfazer. 

Fala em amor-próprio quando o problema é não saber (talvez) estabelecer limites. 

Busca autoconfiança, mas provavelmente esteja com dificuldades de assumir responsabilidades. Em outros casos, acredita estar se respeitando, quando apenas repete regras que nunca chegou a examinar ou questionar.

Existem dois outros conceitos que é oportuno revisarmos: autoaceitação — que não é resignação abatida, pálida: é o ponto de partida para ajustar novos caminhos; autocrítica — quando é construtiva funciona como uma bússola para o aperfeiçoamento pessoal e na escrita; ao focar em soluções e aprendizado, mas torna-se "estranhamente delicada" quando se transforma em um julgamento constante, severo e punitivo que paralisa a ação e corrói a autoestima.

Outro motivo para tanta confusão é que essas qualidades não existem isoladas. 

Elas se formam na relação com o mundo, com o grupo e com as experiências que acumulamos ao longo da vida. 

Podem se enfraquecer, podem se tornar rígidas, podem se distorcer, podem até se transformar no oposto daquilo que deveriam ser. O mesmo traço que sustenta alguém em certas circunstâncias, em outras pode deixar a pessoa/personagem sem energia, confusa... 

Por isso, distinguir alguns desses conceitos não é um exercício teórico. Ajuda a compreender por que reagimos como reagimos (e os personagens também) — e colabora com quem escreve para construir personagens menos esquemáticos e mais humanos.

A seguir, organizo (porque fiz uma demorada pesquisa) algumas dessas ideias, não como definições fechadas, mas como pontos de referência; levando em conta também que além de escritora, ghost writer, copydesk, tradutora, por muitos anos atuei também na área de terapias complementares. 




Autoestima: o lugar que eu sinto que ocupo

A autoestima costuma ser entendida como o valor que damos a nós mesmos, mas esse valor não nasce no/do vazio. Ele se forma sempre em relação ao ambiente, às pessoas com quem convivemos, às expectativas que nos cercam, com tudo o que conseguimos desenvolver (em termos de capacitação (também!)). 

Há momentos em que nos sentimos adequados, capazes, pertencentes. Em outros, a sensação é de deslocamento, como se estivéssemos fora do lugar. Essa oscilação faz parte da própria natureza da autoestima, e é inerente a experiência humana.

Quando ela se fragiliza, qualquer comparação parece desfavorável; e se infla demais, surge a necessidade de provar superioridade ou de disputar espaço o tempo todo.

Em um ponto mais estável, a pessoa consegue reconhecer suas qualidades sem perder a noção de que faz parte de um conjunto maior.

Autoestima não é sentir-se melhor que os outros, nem pior. É conseguir situar-se e ao localizar-se sentir-se bem com isso e diante disso.



Autorrespeito: o limite interno e que, quando necessário, deve reverberar no externo 

Trata-se de algo mais silencioso: a percepção de que existe um ponto além do qual não devemos ir contra nós mesmos.

Esse limite nem sempre é fácil de identificar, porque muitas vezes ele se mistura com normas aprendidas, crenças herdadas ou expectativas externas. 

Há pessoas que se dizem firmes em seus princípios, quando na verdade apenas repetem regras "adquiridas" e nunca pararam para refletir se isso realmente tem conexão com sua essência pessoal. 

Há outras que, com medo de parecerem duras, acabam cedendo onde não deveriam.

Quando o autorrespeito se enfraquece, a pessoa tolera o que a fere, e no momento em que se torna rígido demais, transforma-se em inflexibilidade, orgulho ou incapacidade de rever posições.

Entre a submissão e a rigidez existe um ponto mais difícil, onde a pessoa consegue manter a própria dignidade sem precisar endurecer.


Amor-próprio: não se abandonar, mesmo quando falha

Amor-próprio costuma ser confundido com autoestima, mas não é a mesma coisa.

A autoestima varia conforme o que acontece; o amor-próprio aparece justamente quando as coisas não saem como gostaríamos.

Ele se revela na maneira como tratamos a nós mesmos depois de errar, perder, decepcionar ou fracassar.
Algumas pessoas se atacam sem piedade. Outras se protegem tanto que deixam de reconhecer qualquer responsabilidade.

O amor-próprio não está nem na autocrítica cruel nem na indulgência permanente. Está na capacidade de continuar do próprio lado, sem negar o erro, mas sem transformar o erro em condenação.

Quem não desenvolve esse cuidado interno passa a depender demais da aprovação alheia — ou, no extremo oposto, se fecha em uma defesa constante.


Autoconfiança e autoeficácia: acreditar, agir, responder pelas consequências

Autoconfiança diz respeito à sensação de ser capaz de realizar algo.

Ela costuma variar conforme a área da vida, a experiência e o contexto. Alguém pode sentir segurança no trabalho e hesitar diante de situações afetivas, ou o contrário.

Já a autoeficácia tem uma nuance diferente. Está ligada à percepção de que nossas ações produzem efeitos, de que aquilo que fazemos interfere no resultado, mesmo quando não controlamos tudo.

Quando essa percepção falta, surge a sensação de impotência: nada depende de mim, nada adianta, nada muda.

E na fase onde há exagero, aparece a ilusão de controle absoluto, como se tudo fosse consequência exclusiva da própria vontade.

Entre esses extremos está a responsabilidade pessoal, que não significa carregar o mundo nas costas, mas reconhecer onde podemos agir e onde precisamos aceitar limites.

Para quem escreve, isso é muito visível: há quem espere inspiração, e há quem escreve mesmo assim.





Autovalor: a sensação de dignidade que não depende de comparação

Autovalor é mais profundo do que autoestima. 

Não se baseia em desempenho, aprovação ou reconhecimento, mas na sensação de que a própria existência tem consistência, há relevância em relação a algum contexto e merece consideração, validação.

Quando esse fundamento é instável, a pessoa precisa demonstrar (exaustivamente) o tempo todo que merece estar onde está.

E se distorce, pode surgir a crença de que apenas ela tem valor, e que os outros são descartáveis.

Há um aspecto pouco comentado aqui: o autovalor dificilmente se sustenta quando não conseguimos perceber valor no/do outro. 

Quem só enxerga defeitos ao redor costuma viver em permanente ameaça, como se o próprio valor estivesse sempre em risco.

O escritor/a pode se empenhar  em reconhecer dignidade fora de si não diminui a própria. Ao contrário, costuma fortalecê-la.


Autoconceito 

Imagine que alguém te pergunta, diretamente: quem você é? A resposta que você daria — em voz alta ou só dentro de si — é o seu autoconceito. Ele é feito de palavras, de crenças, de memórias que se solidificaram em identidade. É a frase que começa com "eu sou": criativa, tímido/a, forte, difícil de amar, capaz.

O autoconceito é relativamente estável. Ele não muda a cada manhã ruim ou a cada elogio recebido. É uma estrutura — às vezes libertadora, às vezes traz o sentimento de estarmos enlatados num conceito ou pré-conceito. 

Escritores conhecem bem esse fenômeno: personagens com autoconceitos rígidos são personagens que precisam ser sacudidos pela história para crescerem.


Autocompaixão e autocuidado: sustentar-se sem se poupar de viver

Autocompaixão é a capacidade de olhar para a própria dor sem transformá-la em sentença.

Não se trata de fazer-se de vítima, mas de não acrescentar mais violência ao que já machuca, ou de uma experiência que deu errado. 

Algumas pessoas se tratam com uma dureza que jamais usariam com alguém querido. Outras se protegem tanto que evitam qualquer confronto com a realidade. Nenhum dos dois extremos ajuda muito.

Autocuidado, por sua vez, não é um sentimento, mas um conjunto de atitudes concretas: preservar a própria energia, respeitar limites físicos e emocionais, saber quando parar, quando pedir ajuda, quando insistir.

Sem esse cuidado, a pessoa se desgasta; já em demasia, pode acabar se afastando da vida e talvez enfraquecendo a história ou até mesmo o arco narrativo; o bacana é quando o personagem, por si próprio percebe essas diferenças. 

O ponto de sustentação não está na perfeição, mas na continuidade. Compreendo que é bom ter em conta a força da interdependência.  


Por que isso importa, na vida e na escrita

Na prática, raramente dizemos, sentimos, percebemos com precisão o que está acontecendo. 

Chamamos de insegurança aquilo que é medo de perder o lugar. Falamos em amor-próprio quando o problema (às vezes) é orgulho ferido. Atribuímos (em alguns momentos) à falta de confiança o que, na verdade, tem a ver com responsabilidade que ninguém quer assumir, e que cá entre nós, tanto na escrita como na vida, responsabilidade é algo que aprendemos (passo a passo) a construir — não nascemos e nem nos tornamos responsáveis do dia para a noite.

Quando esses conceitos se confundem, as relações ficam tensas sem que saibamos exatamente por quê.

Na literatura acontece o mesmo. Personagens se tornam rasos quando tudo se resume a “baixa autoestima” ou “excesso de ego”. Histórias ganham outra dimensão quando conseguimos perceber se alguém está lutando por reconhecimento, tentando preservar a própria dignidade, fugindo de si mesmo ou tentando provar que merece existir.

Te deixo um link aqui para criar fichas de personagens — o que pode ajudar bastante no processo.

Autopercepção e autoconhecimento não resolvem todas as contradições, mas tornam possível enxergá-las com menos ilusão. E, muitas vezes, é só a partir daí que alguma mudança começa. 

Por fim, um ponto importante para compartilhar com você que está aqui lendo (obrigada!): bem, seja na realidade ou na ficção, tais conceitos podem demandar investigação médica. Alguém que enfrente baixa autoeficácia, por exemplo, talvez apresente desequilíbrios fisiológicos que um profissional deva avaliar — visto que diversos distúrbios afetam a produtividade. Essa dinâmica enriquece a narrativa; uma personagem constantemente exausta na faixa dos 50 ou 60 anos pode, na verdade, estar atravessando os efeitos da menopausa.


Sobre mim :) 

Olá! Eu sou Clene Salles, Ghost Writer, Copydesk, Tradutora (Espanhol/Português); Presto Serviços de Mentoria Literária para Escritores Iniciantes; também trabalho com AstroEscrita. 

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Fontes consultadas:

https://hospitalsantamonica.com.br/fortalecendo-o-amor-proprio-a-crescente-busca-por-autoestima-e-autoaceitacao/ 

https://www.scielo.br/j/estpsi/a/Zk6jY3PcvQYG5tZdXKg8fsk/?format=html&lang=pt

https://www.eca.usp.br/noticias/crp-departamento-de-relacoes-publicas-propaganda-e-turismo/como-e-construida-autopercepcao 

https://www.uniacademia.edu.br/blog/o-que-e-autoconhecimento 

https://www.psychologytoday.com/us/blog/the-main-ingredient/202303/self-confidence-vs-self-esteem

https://www.psicologossaopaulo.com.br/blog/autocompaixao/

https://es.wikipedia.org/wiki/Respeto 


 


terça-feira, 17 de março de 2026

O que é arquétipo: diferença entre símbolo, estereótipo e personagem

 

O que é arquétipo? Entenda as diferenças entre símbolo, personagem e função narrativa

Aqui você irá compreender o significado de arquétipo, por que ele não é símbolo nem estereótipo e como essa distinção ajuda na construção de personagens, na análise de histórias e na escrita criativa.




O termo arquétipo é muito usado em estudos de literatura, mitologia, psicologia e escrita criativa. Ainda assim, costuma aparecer cercado de confusões. 

Muitas vezes, chama-se de arquétipo aquilo que é, na verdade, símbolo, estereótipo, tipo de personagem ou função dentro da narrativa.

Essa mistura/confusão parece pequena, mas não é. 

Quando esses conceitos se embaralham, a leitura/escrita perde precisão, a análise fica rasa e a construção de personagens tende a resvalar em fórmulas gastas. Para compreender corretamente o que é arquétipo, é preciso separar planos diferentes que convivem dentro das histórias, mas não significam a mesma coisa.

Com o que as pessoas mais confundem o conceito de arquétipo

As confusões mais comuns acontecem porque todos esses termos lidam com repetição, imagem, sentido e reconhecimento. No entanto, cada um pertence a um nível diferente.

Os equívocos mais frequentes são estes:

  • arquétipo e símbolo

  • arquétipo e estereótipo

  • arquétipo e personagem

  • arquétipo e mito

  • arquétipo e função narrativa

  • arquétipo e papel dramático

Distinguir esses conceitos ajuda não apenas a interpretar melhor uma obra, mas também a escrever com mais consciência e profundidade.


O que é arquétipo

Arquétipo é um padrão humano profundo que reaparece em mitos, religiões, narrativas e histórias de épocas e culturas diferentes. Não se trata de um personagem específico, nem de uma imagem fixa. Trata-se de um modelo de experiência humana.

Entre os arquétipos mais conhecidos, estão:

O mesmo arquétipo pode surgir em personagens completamente distintos. O que se repete não é a aparência, mas o tipo de experiência encarnada. É por isso que o arquétipo responde, no fundo, a uma pergunta central: que experiência humana profunda está sendo vivida aqui?


Arquétipo não é símbolo

Uma das confusões mais frequentes é tratar arquétipo e símbolo como se fossem sinônimos.

Não são.

O símbolo é uma imagem que representa algo além dela mesma. O arquétipo é o padrão profundo que pode dar origem a muitas imagens. 

Por exemplo: uma balança pode simbolizar justiça. Já a ideia de justiça como princípio humano, como valor que organiza a experiência, pertence ao plano arquetípico.

Em termos simples:

  • arquétipo: estrutura profunda

  • símbolo: manifestação visível dessa estrutura

O símbolo varia conforme a cultura, a época e o contexto.

Na origem das palavras, símbolo tem relação com "lançar", ou seja, o símbolo te lança a um determinado tema/assunto/experiência.  

O arquétipo permanece como uma corrente subterrânea que atravessa diferentes formas.


Arquétipo não é estereótipo

Outra confusão recorrente é usar arquétipo como sinônimo de tipo fixo de personagem.

Também não é a mesma coisa.

O estereótipo simplifica. O arquétipo aprofunda.

Veja a diferença:

  • o herói musculoso, invencível e previsível: estereótipo

  • o herói que enfrenta provas e retorna transformado: arquétipo

Quando um arquétipo é reduzido a estereótipo, a narrativa perde espessura. O personagem passa a funcionar como um boneco de vitrine: reconhecível, mas sem interioridade.


Arquétipo não é personagem

Personagem é a forma concreta que existe dentro da história. Arquétipo é o padrão humano que essa forma expressa.

O arquétipo do sábio, por exemplo, pode aparecer como:

  • um professor

  • uma avó

  • um líder

  • um inimigo que ensina

  • um desconhecido que orienta

Em todos esses casos, a roupagem muda, mas o padrão permanece. O arquétipo é como um molde invisível; o personagem é a matéria que o preenche.


Arquétipo não é mito

Mito também não é sinônimo de arquétipo.

O mito é uma narrativa específica. O arquétipo é o padrão que reaparece em muitos mitos diferentes.

Por exemplo, histórias de descida ao mundo subterrâneo, perda, travessia e retorno existem em tradições variadas. Isso revela um arquétipo de transformação por meio da queda, da ruptura ou do confronto com o desconhecido.

Em resumo:

  • o mito conta uma história

  • o arquétipo é o padrão por trás dela


Arquétipo, função narrativa e papel dramático

Na escrita criativa, a confusão mais comum talvez seja esta: misturar arquétipo, função narrativa e papel dramático. Esses três níveis convivem na narrativa, mas não são equivalentes.

Arquétipo

É o nível mais profundo, ligado à experiência humana que a história mobiliza.

Exemplos:

  • herói

  • sábio

  • mãe

  • rebelde

  • rei

  • iniciado

  • curador

Pergunta central: que experiência humana está sendo vivida?


Função narrativa

É o papel estrutural que o personagem exerce dentro do enredo.

Exemplos:

  • protagonista

  • antagonista

  • mentor

  • aliado

  • mensageiro

  • guardião

  • rival

  • testemunha

Pergunta central: qual é o papel desse personagem na estrutura da história?


Papel dramático

É a posição que o personagem ocupa em uma cena ou em um conflito específico.

Exemplos:

  • quem deseja, rejeita

  • quem impede, quem abre as portas

  • quem protege, quem abandona

  • quem ameaça, traz alívio

  • quem revela, oculta

  • quem esconde, mostra

  • quem trai, quem se sustenta na dignidade, lealdade

  • quem acusa

Pergunta central: o que esse personagem está fazendo nesta cena?

Um mesmo personagem pode carregar um arquétipo, cumprir uma função narrativa e assumir vários papéis dramáticos ao longo da obra. Confundir esses planos é como tentar usar a mesma chave para portas diferentes: alguma coisa até gira, mas a fechadura não cede direito.


Por que entender arquétipos melhora a escrita

Quando arquétipo, função narrativa e papel dramático são tratados como a mesma coisa, os personagens tendem a ficar:

  • rasos

  • repetitivos

  • previsíveis

  • didáticos demais

  • presos a fórmulas

Quando esses níveis são distinguidos, a narrativa ganha:

  • mais profundidade

  • mais coerência

  • mais densidade simbólica

  • mais precisão na construção de personagens

  • mais força na análise literária

Entender o significado correto de arquétipo ajuda a criar personagens mais complexos, evita simplificações grosseiras e amplia a capacidade de leitura de qualquer história.




Conclusão

Arquétipo não é símbolo, não é estereótipo, não é personagem e não é função narrativa. Ele pertence a um plano mais profundo: o dos padrões humanos que se repetem sob formas diferentes ao longo do tempo.

Quando essa distinção fica clara, a leitura se torna mais refinada e a escrita ganha outra musculatura. O autor deixa de montar personagens apenas com aparência e passa a trabalhar também com estrutura interna, recorrência simbólica e densidade humana.

No fim das contas, compreender arquétipos é compreender melhor as histórias que contamos, as histórias que lemos e, em certa medida, as histórias que continuam nos lendo por dentro.


Sobre mim :) 





Olá! Eu sou Clene Salles, Ghost Writer, Copydesk, Tradutora (Espanhol/Português); Presto Serviços de Mentoria Literária para Escritores Iniciantes; também trabalho com AstroEscrita. 

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Como o Tarot pode ajudar escritores: entrevista com Laura Bacellar sobre criatividade, arquétipos e narrativa

Entrevista com Laura Bacellar: Tarot e escrita criativa, como os arquétipos orientam o processo do escritor


Do bloqueio criativo ao desenvolvimento de personagens, o Tarot como ferramenta simbólica no processo de escrever

Por: Clene Salles

Breve História do Tarot

O Tarot chegou à Europa no século XV, provavelmente pelos portos de Veneza, no auge do comércio marítimo. Composto por 78 cartas — 22 Arcanos Maiores e 56 Menores —, nasceu como jogo de entretenimento nas cortes renascentistas italianas. Os Arcanos Maiores reúnem figuras arquetípicas mais encorpadas, robustas; já os Menores (não menos arquetípicas), se organizam em quatro naipes — espadas, copas, ouros e paus —, cada um associado a um elemento e a uma dimensão da experiência humana: pensamento, emoção, matéria e ação. No entanto, há quem afirme que é tão ou mais antigo do que as pirâmides do Egito; na verdade, sua real natureza e origem são incertos, desconhecidos. 

No entanto, foi Carl Gustav Jung quem deu ao Tarot uma legitimidade psicológica duradoura. Embora não tenha escrito diretamente sobre o baralho, Jung reconheceu nos Arcanos Maiores representações visuais dos arquétipos do inconsciente coletivo — padrões universais que habitam a psique humana e se manifestam em mitos, sonhos, arte e símbolos culturais. Sua aluna, Sallie Nichols, foi quem analisou e sistematizou as diferentes etapas da jornada arquetípica do tarot, no seu livro Jung e o Taro.

É nessa interseção entre símbolo, inconsciente e narrativa que o Tarot encontra a escrita. Quando um autor se senta diante das cartas com uma dúvida sobre sua obra, não está buscando uma resposta mágica — está convocando os arquétipos para iluminar o que a razão, sozinha, não alcança. É exatamente sobre essa prática que Laura Bacellar, editora, escritora, e xamã fala nesta entrevista: como o Tarot pode se conectar ao processo criativo para trazer clareza, desbloquear narrativas e revelar ao escritor aquilo que ele ainda não sabe que sabe.




1. Laura, como você orienta quem vai consultar o Tarot pela primeira vez com foco na escrita? Há algo que a pessoa deve trazer consigo além das dúvidas?

Peço que chegue com as perguntas já formuladas e com algo para anotar — tanto o que trouxe quanto o que surgir nas cartas. O Tarot é um sistema simbólico e arquetípico, e a qualidade do que se recebe tem relação direta com o grau de atenção e foco de quem pergunta. Quanto mais específica e presente a pessoa estiver, mais a consulta tem condições de responder ao que ela, de fato, precisa saber.

2. Você trabalha com as 78 cartas ou há situações em que recorre apenas aos Arcanos Maiores e/ou Arcanos Menores?

Trabalho com as 78. Mas a experiência mostra que é importante reconhecer que há um peso diferente que os Arcanos Maiores carregam quando aparecem — eles falam do que é essencial, do que é estrutural para aquele autor. Se aparecem no jogo são eles que costumam tocar nas dúvidas mais fundas do processo criativo: Sou capaz? Tenho algo a dizer? Estou no caminho certo? Os Menores podem trazer as nuances do cotidiano da escrita. Juntos, compõem uma leitura completa.

3. O Tarot para escritores serve a qualquer momento do processo — início, meio, fim — e a qualquer perfil de autor, do estreante ao consagrado?

Há uma longa história que responde por mim. Sylvia Plath recorria ao Tarot. Italo Calvino fez dele a própria estrutura de O Castelo dos Destinos Cruzados. Philip K. Dick, cujas obras estão na origem de Blade Runner, também se valia de sistemas oraculares. O ponto não é o estágio da carreira nem o da obra — o Tarot tem algo a oferecer em qualquer encruzilhada, impasse do processo criativo.

Para saber mais: https://aventurasnahistoria.com.br/noticias/reportagem/os-escritores-que-usavam-taro-e-os-jogos-de-sorte-na-escrita-de-seus-livros.phtml / Italo Calvino: https://www.portaldaliteratura.com/livros.php?livro=8256 


4. A especificidade da pergunta muda o alcance da resposta?

Muda tudo. Há uma diferença enorme entre chegar com "meu livro vai dar certo?" e trazer algo como: "Meu personagem é um soldado — ele fica nas trincheiras ou avança para a linha de frente?" O segundo tipo de pergunta permite que o Tarot responda com igual precisão. A vagueza na pergunta produz certa névoa na leitura.


5. Existe um intervalo recomendável entre uma consulta e outra?

A pessoa precisa de tempo para assentar o que surgiu, deixar que o conteúdo trabalhe nela e na narrativa, ou seja, colocar em prática no desenvolvimento do seu texto. Consultar repetidamente sem esse ciclo de integração é desperdiçar o que foi revelado.

Há, porém, situações que justificam retornar antes: quando surge um personagem novo com peso narrativo significativo, ou quando o processo traz uma intuição inesperada que muda o que havia sido antes planejado. Um exemplo concreto: uma autora que decidiu que sua protagonista vai se separar do marido: o casamento está em conflito, a direção parecia clara. Mas no meio da escrita, ela intui que um plot twist interessante seria a personagem descobrir que está grávida. O que fazer com isso? Ela segue com a separação mesmo assim? Adia? Esse tipo de dilema, que surge do próprio processo criativo, pode muito bem pedir uma nova consulta.


6. O que o Tarot costuma revelar quando um escritor pergunta sobre um bloqueio?

Não remove o bloqueio, esclarece o motivo, ilumina sua razão. Mostra o que está na raiz, o que está por trás do emperramento. E muitas vezes a própria carta já carrega a chave para lidar com isso. Se surgir a Estrela, o bloqueio pode ter origem na perda de fé no próprio trabalho — o autor que não consegue mais enxergar sentido no que escreve, ou que idealizou tanto a obra que o que sai no papel nunca está à altura do que imaginou. A esperança, paradoxalmente, virou obstáculo. Já o Dez de Espadas fala de esgotamento extremo — o autor que chegou ao limite, que foi longe demais sem se recolher, e cujo corpo e mente simplesmente recusam continuar. Não é falta de talento, não é falta de ideia. É colapso. E o Tarot tem a precisão de mostrar exatamente isso: não o que o autor não tem, mas o que ele não aguenta mais carregar.


7. O que o Tarot oferece à criatividade que os métodos de escrita criativa não alcançam?

Os cursos ensinam estrutura, técnica, método. O Tarot opera em outro registro — ele acessa recursos do inconsciente que a pessoa talvez ainda não saiba que tem. Por meio de símbolos e arquétipos, abre portas que a razão não abre. E o que surge é sempre singular: o Tarot não dá respostas genéricas. Ele responde àquele escritor, àquela obra, àquele momento.


8. Quando um arquétipo surge para um personagem, como o escritor pode trabalhar essa informação depois?

Pesquisando a fundo. O Rei de Copas, por exemplo, tem suas características, seus símbolos, sua própria jornada interna e externa. A partir daí, o autor desenvolve, decanta, burila — e incorpora na narrativa apenas o que é oportuno. É um processo criativo em si: receber, aprofundar e deixar que a informação se transforme em substância literária.


9. O arco do próprio escritor — não somente o do personagem, mas o da pessoa que escreve — também pode ser lido?

Sim, desde que ela pergunte sobre isso. O jogo mostra em que ponto ela está, o que precisa acontecer primeiro, qual é o próximo passo mais honesto conforme a tiragem. Se surgir a Sacerdotisa, por exemplo, é sinal de que ainda não é hora de agir — é hora de escutar, recolher, deixar o conhecimento sedimentar, silenciar-se, principalmente, em relação ao projeto. O Tarot orienta não apenas a obra, mas o caminhar do autor dentro dela.


10. Você consegue perceber, pela consulta, quando um autor está escrevendo longe do que realmente lhe pertence — seja o estilo, seja o tema?

É um dos aspectos mais reveladores. O Tarot trabalha com a noção junguiana de Luz e Sombra — o que não reconhecemos em nós mesmos. Quando alguém está escrevendo para agradar, para seguir uma tendência ou para corresponder a uma expectativa que não é sua, o jogo mostra. A Lua é a carta da névoa, do que está oculto, da confusão sobre a própria voz. O Eremita pode sinalizar que é preciso um recolhimento antes de qualquer avanço. O Tarot tem uma forma muito precisa de nomear o descompasso entre o que o autor escreve e o que ele, de fato, identifica o que é melhor escrever.


11. Você consegue dar exemplos de correspondências entre alguns arcanos e gêneros ou territórios narrativos?

Claro. Se alguém chega com a dúvida "devo escrever um romance romântico ou erótico?" e sai o Ás de Paus — fogo, impulso, desejo — a resposta aponta para o erótico. Se sair o Ás de Copas — água, emoção, profundidade afetiva — o caminho é o romântico. Para uma pergunta mais aberta, como "qual gênero me corresponde?", o Diabo pode indicar uma narrativa de tensão, poder e transgressão — tramas envolvendo obsessão, dinheiro, jogos de controle. O Louco, por sua vez, pode sugerir uma narrativa de liberdade radical — alguém que parte sem mapa e sem destino definido. Cada arcano é uma porta. E cada porta abre para um universo narrativo distinto.


12. O que este trabalho desperta em você?

O que continua me surpreendendo é que o Tarot frequentemente responde de um modo que eu, como editora, não responderia. Não tenho nenhuma ingerência na resposta que surge nas cartas — ela não passa por mim. Essa independência entre o que penso e o que o jogo revela é, para mim, um dos aspectos mais fascinantes, intrigantes e honestos de todo o processo. O Tarot não me reflete. Ele revela o que está além do que eu poderia oferecer só com minha experiência profissional.


Fechamento
Laura, para encerrar, uma consulta ao "vivo"; aqui, nesta conversa, neste sábado, 14 de março de 2026, às 20h:


"Tarot, o que esperar desta entrevista?"
As cartas: Oito de Ouros, O Sol, A Roda da Fortuna e A Imperatriz.

Que conjunto. O Oito de Ouros fala de dedicação e maestria — há aqui um trabalho feito com cuidado, muito bem pensado e comprometimento genuíno. O Sol traz clareza e visibilidade: esta conversa tem potencial para chegar às pessoas certas. A Roda da Fortuna anuncia movimento, um ciclo que se abre; o que começa aqui pode gerar desdobramentos que ainda não se veem. E a Imperatriz é a carta da criatividade fértil, do que floresce e se multiplica. Juntas, essas quatro cartas dizem que esta entrevista tem vida, tem substância e tem futuro.

 

Agradecimento

Conversar com Laura Bacellar é uma oportunidade de rever e introjetar a forma como os arquétipos funcionam em nós, e perceber que dessa compreensão nasce uma abertura ao mesmo tempo psíquica, espiritual e criativa. 

Obrigada por mostrar, com generosidade, clareza e precisão, como o Tarot e a escrita podem se conectar a serviço de uma narrativa, de uma resposta, de um caminho, uma direção que é uma verdadeira joia para escritores/as, autores/as. Que estas cartas, e estas palavras, cheguem a quem precisa encontrá-las.



Laura Bacellar, Tarô para Escritores e Consultoria sobre o Mercado Editorial

Escreva Seu Livro

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Sobre mim :) 



Olá! Eu sou Clene Salles, Ghost Writer, Copydesk, Tradutora (Espanhol/Português)

Além disso, para quem não sabe, eu sou Astróloga, Orientadora de Feng Shui e Litoterapeuta (segundo a tradição da MTC) há mais de 40 anos (sim, eu comecei bem jovenzinha (risos)).

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