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segunda-feira, 8 de dezembro de 2025

Oração Ao Poder Sagrado Feminino


Oração Ao Poder Sagrado Feminino 





Grande, Onisciente, Onipresente e Divina Mãe, Avó de Todas as Mães, Mulheres Ancestrais, Geradoras que fazem parte de mim, Mulheres da Minha Família, Seja da Minha Família de Sangue ou por Afinidade, seja da Família Cósmica...

Eu Agora falo, me dirijo a vocês, e também as escuto, Sussurrem os segredos que me entreguem orientação, lucidez, bem-estar e felicidade. 

Mulheres Ancestrais, Donas de Todos os Tempos e Gerações, Contidas Na Unicidade, Que agora se revela Única, como a Centelha Central do Feminino, Idealizadora e Construtora de Tudo O Que É, Honro e Creio na sua Sabedoria, na sua Jornada e na sua Transmutação, Confio plenamente na sua Força. 

Sei e confio que todas as Mulheres Ancestrais estão livres de medo, Sei e confio que estão conectadas com a consciência, Sei e confio que estão restituindo as peças, costurando os fragmentos, firmando as peças dos quebra-cabeças da paisagem que sempre muda, nos oferecendo novas visões. 

Pressinto que a evolução é inevitável, sinto que a realização é viável, constato que vocês deixam rastros mostrando que o futuro sempre existe.

Eu reconheço as suas histórias, Eu conheço as minhas histórias, Nós sabemos que estão entrelaçadas, Através das teias sagradas da terra e do céu, Com o sopro sagrado do ar e o fogo transmutador, E que, a todo instante, tecem e reconstroem o Mundo.

Suas vozes antes silenciadas, agora cantam através das eras, E o que há de melhor na Sagrada Linhagem, Eu estou aqui, quero compreendê-las.

Que o poder de mil gerações corre pelas minhas veias neste instante.

Guiai-me e protegei-me; Orientai-me em nome da saúde, inteligência, amor e prosperidade.

Não tenho para quem pedir, a não ser ao Sagrado Feminino, que solta o fio com o padrão estelar, Borda os sóis e as luas. 

Que as bênçãos contidas neste Manto Sagrado me envolvam, Cobrindo-me com a proteção e a magia do Cosmo. Que o manto de bênçãos também me traz a graça de perdoar o que foi e acolher com consciência madura o que é. 

Sinto que a coragem que pulsa em Cada Ancestral Feminina me inspira em cada passo, E que a luz volta a brilhar dentro de mim, Juntas, podemos lembrar e acionar nossa própria divindade.

Que eu possa caminhar no legado agora por mim herdado, Legado esse que agora está repleto de Luz, Conquisto, Através de Ti, o reconhecimento e caminho em abundância, manifestando o êxito em cada obra das minhas mãos.

Com Gratidão Agora banhada em todo o meu ser, Acreditando na dignidade de nossas almas, Celebro a beleza e a magia, a cura e a felicidade, Da linhagem feminina que nos sustenta.

O melhor em mim, saúda o melhor em todas nós. 

O que há de ser retificado em mim, celebra o que já foi transmutado em todas nós. 

O que me falta, encontra eco no que já é perfeito em vocês. Que o caminho do meio não seja distraído, mas traga a inocência e o olhar bondoso em todas nós. 

Que a inocência não seja tola, nem o olhar bondoso nos faz ingênuas. Falo de inocência e olhar bondoso para não termos o coração pesado, 

E sempre todas nós estejamos atentas, despertas, perspicazes, sabedoras do que há nas entrelinhas, entendedoras dos entremeios daquilo que não se pode ouvir.

Brinde a todas nós, o poder criativo, intuitivo; a majestade de poder ser e estar no aqui e agora, para desvendar os mistérios. 

Mulheres Ancestrais, entreguem a todas nós a Sagrada Proteção: acima, abaixo, na esquerda, na direita, no centro, no âmago da centelha. 


Um abraço fraterno feminino,

© Clene Salles

(Todos os Direitos Reservados)




Olá! Sou Clene Salles

Desde 1983, caminho entre símbolos e espaços, facilitando processos de autoconhecimento e desenvolvimento pessoal, usando Astrologia, Mitologia, Arquétipos, Feng Shui no Corpo e nos Ambientes... 

Além disso, há mais de 25 anos trabalho no setor editorial, seja como Ghost Writer, Copydesk, Tradutora, Mentoria Literária e AstroEscrita.

Meu propósito é o resgate do essencial, aquilo que pertence a cada pessoa como direito de origem.

Contato

WhatsApp: 11 976944114

E-mail: clenesalles@gmail.com 



sábado, 13 de setembro de 2025

Entre A Razão, Sagrado, Simbólico, Imaginário...

Entre a razão e o imaginário: quando o pensamento racional e a sutileza se unem e viabilizam sonhos, perspectivas, projetos



Entre o sacro e o sagrado: distinções necessárias

O ser humano vive imerso em tensões simbólicas. Uma delas é a diferença entre sacro e sagrado. O sacro é a categoria que separa o que pertence a outra ordem daquilo que é profano. É conceito, estrutura, limite. O sagrado, ao contrário, é experiência: aquilo que nos toca, que provoca reverência, temor ou encantamento. O sacro é a moldura; o sagrado, a pintura viva.

De forma semelhante, confundimos com frequência racionalidade e racionalismo. A racionalidade é faculdade humana: a capacidade de pensar, calcular, organizar, agir com coerência. O racionalismo, por sua vez, é uma doutrina filosófica que elege a razão como instância suprema de conhecimento (Descartes, Spinoza, Leibniz). Ou seja, todos podemos exercer racionalidade em algum grau, mas nem todos aderimos ao racionalismo como visão de mundo.

Outro par que se entrelaça é o de espiritualidade e religião. A espiritualidade é vivência interior, subjetiva, ligada ao sentido e à transcendência. A religião é forma social, institucionalizada, com dogmas, rituais, hierarquia e comunidade. Pode-se ser espiritual sem ser religioso; pode-se seguir uma religião sem vivenciar uma espiritualidade profunda.

Essas distinções não são meramente acadêmicas: ajudam a perceber os modos pelos quais interpretamos e nos relacionamos com a realidade.


O sagrado na lareira de Vesta e a razão de Atena

As mitologias greco-romanas oferecem figuras que personificam essas forças.

  • Atena/Minerva: deusa da sabedoria prática, da inteligência estratégica, da razão lúcida.

  • Apolo: deus da luz, da harmonia, da medida, contraponto à embriaguez dionisíaca.

  • Hermes/Mercúrio: mensageiro, patrono da comunicação e da astúcia racional.

  • Zeus/Júpiter: guardião da ordem cósmica, da lei que sustenta o equilíbrio.

  • Héstia/Vesta: guardiã do fogo sagrado da lareira, símbolo da coesão e da continuidade.

Nessas imagens, vemos como os antigos já buscavam equilibrar razão e sensibilidade, ordem e fervor, lei e imaginação. Héstia/Vesta, com sua chama invisível mas essencial, lembra que o sagrado não está apenas nos grandes feitos, mas na manutenção silenciosa da vida. Atena mostra que a sabedoria estratégica também é indispensável para o bem comum.


Quando a razão se engessa

A razão é uma força vital: clareia, organiza, protege do caos. Mas quando se engessa, cai-se em um sedentarismo energético-psíquico-espiritual.

Assim como um corpo imobilizado perde flexibilidade, também a mente que se fixa apenas no cálculo se torna rígida. O excesso de racionalismo não apenas restringe a imaginação: engessa o acesso ao sagrado, bloqueia o criativo e empobrece o espiritual.

O gesso, contudo, não é definitivo. Ele pode ser dissolvido pela água da sensibilidade, quebrado pelo impacto de novas experiências ou removido pelo exercício consciente. A imagem é potente porque sugere que aquilo que endurece também pode ser transformado.


O imaginário: motor invisível da humanidade

Segundo Laplantine e Trindade, o imaginário é o tecido em que imagens, símbolos e narrativas se entrelaçam

Ele não é mero devaneio, mas um campo criador que se projeta no futuro e reinterpreta o presente.

Yuval Harari, em Sapiens, mostra que nossa espécie prosperou porque soube inventar ficções coletivas: deuses, nações, direitos, empresas


Portanto, longe de ser uma fuga, o imaginário é instrumento de sobrevivência e transformação. É nele que germinam as ideias que mais tarde se consolidam em ciência, política, arte e religião.


Tipos de imaginário

O imaginário pode ser observado em diferentes camadas:

  • Individual: sonhos, memórias, fantasias pessoais.

  • Coletivo: mitos, tradições, narrativas partilhadas.

  • Arquetípico: padrões universais como herói, sombra, mãe, trickster.

  • Tecnológico/utópico: visões de futuro, ficções científicas, utopias e distopias.

Conhecê-los é crucial: quem ignora o próprio imaginário pode ser dominado por imagens invisíveis que moldam comportamentos sem consciência.


O simbólico: linguagem que atravessa

Se o imaginário é o campo fértil, o simbólico é a linguagem que o atravessa. O símbolo não se reduz a um signo: ele mobiliza afetos, contém uma pluralidade de sentidos, conecta visível e invisível.

A cruz não é apenas um objeto: é presença de Cristo para aquele que crê. O espelho de Oxun não é apenas reflexo: é manifestação divina. O símbolo, como lembram Laplantine e Trindade, tem eficácia porque mobiliza emoções, legitima instituições, orienta ações

Sem símbolos, a vida social perde densidade.


Ciência e imaginário: uma aliança improvável

À primeira vista, ciência e imaginário parecem opostos. Mas toda ciência começa com uma imagem, uma hipótese, um “e se...?”.

  • Kepler sonhou com viagens lunares antes de formular suas leis.

  • Einstein imaginou cavalgar em cima de um raio de luz.

  • Watson e Crick montaram modelos de arame e papelão para visualizar o DNA.

  • Júlio Verne inspirou engenheiros de submarinos e astronautas.

A ciência valida, mas é a imaginação que cria. Um sem o outro é estéril.

E mais: não é porque algo não foi visto, medido ou explicado pela ciência em determinado momento que ele inexiste. A história está repleta de realidades sutis ou invisíveis que só depois se tornaram compreensíveis. Se em 1900 alguém falasse de partículas como o neutrino, teria sido motivo de riso ou descrença — afinal, não era possível sequer imaginar algo tão esquivo. Hoje, o neutrino é central para entendermos o universo. Isso mostra que o imaginário não é apenas invenção: é também um antecipador de realidades que mais tarde podem ser comprovadas. O invisível de ontem pode ser a evidência de amanhã.


Arte e criatividade: guardiãs da vida humana

A arte dá forma ao indizível, reorganiza afetos, resiste ao automatismo. Criar não é luxo, é necessidade.

  • Expressão: traduz o que escapa à linguagem comum.

  • Cura: atua como reorganização simbólica e terapêutica.

  • Expansão: amplia percepções, abre novas maneiras de ver.

  • Resistência: questiona, subverte, rompe silêncios.

  • Humanização: lembra que somos seres de sentido, não apenas de sobrevivência.

Sem criatividade, a vida torna-se repetição sem alma.


O olhar crítico: vieses e falácias

É importante reconhecer os vieses que rondam esse tema:

  • Viés de confirmação: só buscar exemplos que reforçam a ideia de que o imaginário é sempre positivo.

  • Idealização romântica: esquecer que o imaginário também pode gerar fanatismos, preconceitos, alienações.

  • Falácia da composição: generalizar experiências individuais como se fossem universais.

  • Apelo à consequência: afirmar que “sem imaginário não há futuro” como argumento definitivo, quando é mais reflexão do que prova.

Reconhecer essas limitações não invalida a importância do imaginário e do simbólico; apenas os coloca em perspectiva crítica.


Conclusão: escrita como mobilidade interior

Entre razão e imaginação, entre o sagrado e o racional, entre o simbólico e o científico, o humano se move em tensão criativa.

Se apenas racionalizamos, corremos o risco de engessar nossa psique, cair em um sedentarismo energético-psíquico-espiritual que nos afasta da criatividade e do espiritual. Se apenas fantasiamos, perdemos ancoragem na realidade.

Escrever exige justamente esse equilíbrio: clareza racional e mobilidade imaginária. É exercício de travessia, não de imobilidade. É manter a chama de Vesta acesa enquanto Atena sopra discernimento. Assim, a escrita deixa de ser um gesto técnico e se torna experiência vital. 





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quarta-feira, 16 de outubro de 2024

Deusas e Deuses da Escrita - dicas para escrita criativa

Deusas e Deuses da Escrita

Dicas de escrita criativa para escritores/as iniciantes







Talvez você já tenha se perguntado:

"Como surgiu a primeira narrativa? Por quê?"

A necessidade de contar histórias é inerente aos seres humanos, uma vez que as narrativas nos ajudam a compreender o mundo e a criar um sentido para nossa existência. 

Desde os primórdios, os seres humanos buscaram explicar os mistérios da vida, do universo e dos fenômenos naturais através de histórias míticas, que também serviam para transmitir regras de convivência e modos de sobreviver. 

Muito antes de a filosofia surgir como um campo de pensamento sistemático, a mitologia já existia como uma forma de organizar a experiência humana, oferecendo explicações sobre o mundo por meio de símbolos e deuses que representavam forças da natureza e aspectos da vida.

A mitologia pode ser considerada uma fase pré-filosófica, pois era uma forma de responder às grandes questões da humanidade, como a origem da vida, os relacionamentos afetivos, o desenvolvimento humano, o sentido da morte e os mistérios do cosmos, antes do surgimento do pensamento racional. 

Os mitos forneciam um mapa para viver, ao descrever não apenas as regras de sobrevivência, mas também os valores socioculturais e as emoções humanas. Eles permitiam que as pessoas, em tempos antigos, compartilhassem uma visão de mundo e encontrassem um propósito coletivo, conectando-se através das histórias e transmitindo-as de geração em geração. Essa tradição narrativa ancestral é, portanto, a base do que hoje conhecemos como literatura, perpetuando a necessidade humana de escrever, contar e ouvir histórias.


E talvez (novamente) você esteja se perguntando:

"Por que o título é 'Deusas e Deuses da Escrita'?"

Dou preferência ao feminino, por um motivo simples: estima-se que 51% da população mundial é composta por mulheres e 49% por homens; e, de forma inegável, 100% de todas as pessoas existentes no Planeta Terra vieram de uma mulher. 

Esse reconhecimento da força criadora feminina reflete também a importância da inspiração, da assimilação da sabedoria e da intuição, que as figuras femininas mitológicas trazem para a escrita. 

As deusas representam a nutrição do ser humano, e do imaginário, o acolhimento das histórias e a força transformadora das palavras. Por isso, dar destaque às "deusas" antes dos "deuses" na escrita é uma forma de homenagear essa potência que origina e nutre a vida e as narrativas. Em seguida, comentarei aqui, logo abaixo, os deuses da escrita :) 



Íris




Íris, na mitologia grega, é a deusa do arco-íris e a mensageira dos deuses, especialmente de Zeus e Hera. Ela transita entre o Olimpo e a Terra, carregando mensagens com a mesma leveza e beleza de um arco-íris, que une céu e terra em uma ponte de cores. Filha de Taumante ("maravilhas") e Electra ("âmbar, mulher radiante"); é casada com Zéfiro, o senhor dos ventos.

Íris simboliza a comunicação clara e inspirada, que conecta mundos diferentes, uma qualidade essencial para a escrita. 

Seu mito nos lembra que a escrita tem o poder de criar pontes entre o autor e o leitor, permitindo que ideias, emoções e visões sejam transmitidas de forma fluida e vibrante, como um arco-íris que atravessa o céu.

Para escritores iniciantes, Íris nos ensina a importância de transmitir a essência de uma história com leveza e clareza. 

Assim como suas mensagens eram entregues de forma rápida e precisa, o escritor deve buscar a simplicidade e a eficácia na linguagem, evitando complicações desnecessárias. 

Um bom exercício é praticar a escrita de pequenos textos, como minicontos, que exigem concisão e foco; ou mesmo crônicas. Além disso, a deusa Íris nos inspira a explorar as diferentes "cores" da linguagem — metáforas, sensações, visões, ponderações, observações, costumes — para que a escrita ganhe vivacidade e seja capaz de encantar o leitor, tal como um arco-íris encanta quem o vê. 



Musas




Na mitologia grega, as nove Musas (que etimologicamente significa "aprender, fixar-se numa ideia artística e é da mesma família de música e museu) são deusas das artes, como música, dança e poesia, dotadas de talentos artísticos excepcionais, beleza e graça. As Musas presidem o pensamento fomentando nos deuses e deusas, e nos humanos, a sabedoria, eloquência, persuasão, história, matemática, astronomia. 

Elas inspiram músicos e escritores a superar desafios criativos e oferecem entretenimento que alivia as preocupações dos deuses e da humanidade. Filhas de Zeus e Mnemosine (a deusa da Memória), nasceram após nove noites consecutivas de união entre eles.

Cada uma das Musas representa simbolicamente um campo artístico específico: Calíope (poesia épica e retórica), Clio (história) – sendo que ela também representa a fama, Erato (canto), Euterpe (poesia lírica), Melpomene (tragédia), Polímnia (hinos), Terpsícore (dança), Tália (comédia) e Urânia (astronomia). Elas são frequentemente retratadas com objetos que simbolizam seus talentos, como a tabuleta de Calíope e a flauta de Euterpe. 

Acima, na imagem (criada por IA) selecionei 4 delas, porque é o nosso foco de interesse na escrita: Calíope: poesia épica, Clio: historiadora; Melpômene: tragédia; Tália: comédia. 

Curiosamente, os pais das Musas são Mnemosine, a personificação da memória, e Zeus (Júpiter), o senhor da fertilidade, dispensador de bens e do poder criador. Isso nos faz refletir: o que seríamos, enquanto humanidade, sem a memória que preserva nossas histórias e a fertilidade que nos permite criar, transformar, evoluir e compartilhar? Uma curiosidade: as Musas, por vezes, fazem parte do cortejo de Afrodite - deusa do amor. E qual o diferencial, a pitada de brilho que devemos concluir? Será possível escrever longe do amor, do coração? 





A Deusa Aranha

Segundo a tradição do povo nativo de pele vermelha da América do Norte, a Aranha (e a divindade que carrega em si) trouxe aos seres humanos a pré-configuração do alfabeto; ela usou os ângulos da sua teia para ajudar a humanidade a desenhar as letras/símbolos. Qual o seu objetivo? Doar como herança a arte de aprender a registar memórias e os progressos, porque ela entendeu que os seres humanos estavam a cada dia mais complexos e, para tanto, somente a escrita para perpetuar o conhecimento adquirido. 



Seshat 






Seshat, também conhecida como Sexate ou Seshet, era uma deusa da mitologia egípcia originária da região do Delta do Nilo. Ela era associada à escrita, à astronomia, à arquitetura e à matemática. Alguns especialistas acreditam que ela teria descoberto a escrita. O nome Seshat significa "a que escreve", e ela também era reverenciada com os títulos de "Senhora dos Livros", "A Dona da Casa dos Livros", e "Senhora dos Construtores".

Com seus atributos, ela nos lança a um campo mais vasto sobre a escrita e literatura, nas entrelinhas ela nos ensina que para escrever, é preciso planejar (arquitetura). Para escritores iniciantes, a mensagem desta importante deusa sumeriana é que, embora a criatividade seja essencial, é igualmente importante dominar as técnicas e estruturas da escrita, de modo que a inspiração possa ganhar forma e se expressar de forma clara e duradoura.

Seshat era representada como uma mulher vestida com uma pele de um felino malhado, uma vestimenta tradicionalmente usada pelos sacerdotes nos ritos funerários. Sobre sua cabeça, carregava um objeto apoiado em uma folha, que simboliza provavelmente o papiro — um suporte de escrita muito utilizado na antiguidade e um dos principais produtos de exportação do Egito. Em suas mãos, Seshat segurava um caule de palmeira, os instrumentos essenciais dos escribas em seu trabalho de registrar valores e recursos (animais, cereais, tecidos), bem como conhecimentos e histórias. 





Nisaba

Nisaba, a deusa mesopotâmica da escrita e dos grãos, é uma das divindades sumérias mais antigas registradas na história. ela é filha de Unas (Terra) e de Anu (Céu). Seu culto permaneceu importante ao longo dos períodos da Mesopotâmia, sendo especialmente venerada pelos escribas, que frequentemente encerravam seus textos com a doxologia (fórmula litúrgica de arremate nas grandes orações): "louvor a Nisaba" em sua honra. Possuía um grande prestígio; era escriba das deusas e deuses; guardiã relatos divinos, dos imortais e mortais.

Conhecida por epítetos como "senhora da sabedoria", "professora de grande sabedoria", "supervisora insuperável" e "abridora da boca dos grandes deuses", Nisaba simbolizava não apenas o conhecimento, mas também a arte de transmitir esse saber aos outros. Acreditava-se também que o direito dos escribas de ensinar aos outros sua arte lhes era concedido por ela. 



Hermes




Filho de Zeus (fertilizador, dispensador de bens) e Maia (ilusão), Hermes, na mitologia grega, é o deus da comunicação, das estradas, da eloquência e dos mensageiros. Conhecido por sua astúcia e habilidade de se deslocar rapidamente entre os mundos, Hermes é o mensageiro dos deuses, transitando entre o Olimpo, a terra e o submundo. 

Ele é também considerado o patrono dos escritores, oradores, comerciantes e até dos ladrões, pela sua versatilidade e capacidade de adaptação. A figura de Hermes carrega o poder das palavras e da troca de informações, capacidade de negociação; articulação; lucidez; e persuasão. 



Mercúrio


 

Mercúrio é a versão romana de Hermes e, provavelmente, Hermes deve ter sido sincretizado (e importado) do inesquecível Deus Thot: deus da sabedoria; inventor do hieróglifos; senhor da magia, sabedor do conhecimento oculto, esoterismo; aquele que sabe medir o tempo (real, das estações do ano, e do tempo imaginário); intermediário (também) entre os humanos e os deuses; escritor dos deuses. 

Thoth parece ser uma divindade mais séria, sóbria; enquanto que Hermes e Mercúrio são mais joviais – se preciso for para salvar sua pele ou tirar alguma vantagem, irão blefar, mentirão; serão embusteiros, fofoqueiros, falsos, dissimulados. 



Thot





Thoth é uma divindade egípcia associada à sabedoria, à escrita e ao conhecimento. Representado com a cabeça de íbis ou de babuíno; ele era considerado o escriba dos deuses e o inventor dos hieróglifos, o sistema de escrita sagrada do antigo Egito. Como patrono dos escribas, Thoth era visto como o guardião dos textos sagrados e do conhecimento oculto, atribuindo a ele o poder de transformar ideias em símbolos e registrar a história e os rituais que conectavam os humanos ao divino.

A escrita, sob a tutela de Thoth, não era apenas uma ferramenta de comunicação, mas um meio de manifestar a ordem cósmica e o equilíbrio universal, conhecido como Maat – que inclusive, a Deusa Maat é sua esposa. 

Ele era acreditado como o responsável por registrar o julgamento das almas no submundo, anotando os feitos de cada indivíduo durante a pesagem do coração. Assim, a escrita tinha um papel místico, conectando os registros materiais ao mundo espiritual. 

Através de Thoth, a linguagem escrita se tornava um portal para o entendimento das verdades do universo e dos mistérios da criação.



Ganesha





Ganesha, uma das divindades mais adoradas do hinduísmo, é amplamente reconhecido como o deus da sabedoria, da inteligência e da remoção de obstáculos. Ele é frequentemente invocado no início de novos empreendimentos, incluindo a escrita, devido ao seu papel como facilitador do conhecimento e da clareza mental. 

O enredo de Ganesha é grande, por isso vou me concentrar aqui, no momento da sua história mítica em que arrancou de si mesmo uma das presas – que tem relação direta com a escrita. 

Por que Ganesha tem uma de suas presas quebrada? 


Simboliza inicialmente sua habilidade de superar ou "quebrar" as ilusões da dualidade. Porém, existem muitos outros sentidos que têm sido associados a este símbolo.

"Um elefante normalmente tem duas presas. A mente também frequentemente propõe duas alternativas: o bom e o mau, o excelente e o expediente, fato e fantasia. A cabeça de elefante do Senhor Ganesha porém tem apenas uma presa por isso ele é chamado "Ekadanta, " que significa "(aquele de) Presa única", para lembrar a todos que é necessário possuir determinação mental".
(Sathya Sai Baba)


Ganesha o escrivão


Na primeira parte do poema épico Mahabharata, está escrito que o sábio Vyāsa pediu para Ganesha que transcrevesse o poema enquanto ele ditava. 

Ganesha concordou, mas somente na condição de que o sábio Vyāsa recitasse o poema sem interrupções ou pausas.

O sábio, por sua vez, colocou a condição que Ganesha não teria somente que escrever, mas também entender tudo o que ele escutasse antes de escrever. Dessa forma, Vyāsa se recuperaria um pouco de seu falatório cansativo ao simplesmente recitando um verso bem difícil que Ganesha não conseguisse entender rapidamente. No corre-corre de escrever, a caneta de Ganesha se quebrou. Então ele quebrou uma de suas presas e a usou como caneta, só assim a transcrição pôde prosseguir sem interrupções, permitindo a ele manter sua palavra.







Há tanto o que aprender, repensar, interpretar sobre a Mitologia e a Escrita... 

Certamente, existem mais deusas e deuses da escrita, mas não explorei tudo por aqui. Se o fizesse, isso se tornaria um pequeno livro online – e, além disso, quem teria paciência para ler uma publicação enorme?

Em resumo: as deusas e deuses nos oferecem um rico simbolismo que nos orienta na hora de escrever. Sempre penso neles e nelas no momento em que preciso escrever. Sim, a escrita é uma "ponte" entre nossa mente criativa e o computador/papel; é preciso ter eloquência, percepção apurada. Íris nos ensina sobre o encanto; Seshat, sobre o propósito; Thot, sobre a medida; e devemos estar além dos julgamentos e preconceitos. 

São referências muito nítidas, através de Nebasi, que evidenciam que sempre estamos semeando pensamentos (para nós e para os leitores/as) ao escrever um livro.

As sandálias aladas de Hermes/Mercúrio estão à disposição para viajar para "diferentes mundos", e seu caduceu (duas cobras entrelaçadas) simboliza o controle ou a serenidade, assim como o empoderamento dos opostos. 

Conforme Ganesha nos mostra, não há muitas soluções prontas; precisamos encontrar recursos dentro de nós mesmos e, a partir de nós, escrever. 

Adaptáveis como são, tanto as deusas quanto os deuses nos enviam uma mensagem clara: na escrita, seja flexível.

E quem dirá que a escrita é diferente disso tudo?







Olá! Eu sou Clene Salles, Ghost Writer, Copydesk e Tradutora, e ofereço Mentoria Literária para Escritores Iniciantes. Se você deseja aprimorar sua escrita ou começar a dar vida ao seu livro, entre em contato!


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Laura Bacellar

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Fontes:

https://en.wikipedia.org/wiki/Nisaba 

https://en.wikipedia.org/wiki/Thoth

Junito Brandão, Mitologia grega, Volumes I, II, e III

Dicionário dos Símbolos, Alain Gheerbrant, Jean Chevalier 

Imagens geradas por IA: Night Cafe





domingo, 14 de maio de 2023

Mães Divinas - Mitologia Greco-Romana

Mães Divinas   Mitologia Greco-Romana





Abaixo a lista dos 12 Deuses Olímpicos e suas mães (literalmente!) divinas:


Zeus (“céu brilhante”, senhor soberano absoluto do Olimpo) – sua mãe é Reia (“fluxo, terra ampla e larga”).

Hermes (deus da comunicação, comércio, psicopompo) – sua mãe é Maia (“mãezinha, mãe, parteira”; deusa que emana a energia de vida para fecundidade) e que foi homenageada na constelação de Touro.

Dionísio (deus da fertilidade, do vinho) – sua mãe é Sêmele ou Sémele (Sêmele “aos deuses do céu e da terra”; “deusa da terra”). E que por sua vez, era filha da deusa Harmonia, segundo outras versões.

Hera – sua mãe é Reia (“fluxo”).

Afrodite – sua mãe é Gaia/Geia (“Terra”).

Atená – sua mãe é Métis (“sabedoria, prudência”), Métis tinha o poder da metamorfose.

Ártemis (deusa da caça, vida selvagem, magia, senhora dos animais) – sua mãe é Leto (“senhora, mulher, esquecer”).

Hefestos (deus ferreiro, artesão) – sua mãe é Hera (“senhora’, protetora dos amores legítimos, deusa do casamento).

Apolo (deus solar, da cura, do oráculo, da profecia, música) – sua mãe é Leto.

Deméter (deusa da colheita, agricultura, Natureza, estações do ano) – sua mãe é Reia (“fluxo”).

Ares (deus do combate, guerras) – sua mãe é Hera. A cuidadora de Ares é Hebe (deusa da juventude, copeira dos deuses).

Poseidon (deus do Oceano, aquele que faz tremer a terra) – sua mãe é Reia (“fluxo”).

Psiqué (alma) – mãe sem nome.

Como assim? Eu escrevi lá em cima que são 12 e agora aparece mais uma? São 13 ou 12? Calma…

Alguns escritores, poetas e mitólogos gostam da ideia que Psiquê (Alma) tenha merecido um lugar no Olimpo… Claro, depois de sua (longa e intensa) jornada de sacrifícios! Ao que consta foi inclusive Mercúrio (deus da comunicação, psicopombo) que transportou Psiquê ao Olimpo para a cerimônia oficial de casamento com Eros e assim, teria seu lugar oficial no Olimpo. Aliás, metaforicamente e simbolicamente, faz muito sentido que a Alma (Psiquê) viva no lá.

E Psiquê foi mãe! Ela deu à luz a Hedonê (“prazer”).

Abaixo: “O casamento de Psiquê” – por Boucher, 1744

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Entretanto, não seriam 12 deuses e deusas que “vivem” no Olimpo (Morada dos Deuses e Deusas) e sim 13… Não podemos esquecer também que Cronos foi destituído de lá, logo seriam 14…

Aai, ai, ai…. (risos)

E ainda comentando sobre mães poderosas…

As mães Olímpicas tiveram filhos e filhas também magníficos! Veja abaixo:

Hera (“senhora, deusa do casamento), foi mãe de:

Ares (deus da guerra); Hebe (deusa da juventude); Hefestos (deus artesão, deus dos nós, deus que ata e desata, ferreiro); Ilítia (deusa dos partos); Éris (discórdia).


Afrodite (deusa do amor) foi mãe de: Harmonia; Peito (“sedução”); Cárites/Graças (“banquete, concórdia, gratidão, sorte, encanto”); Fobos (“medo”); Deimos (“terror”); Hermafrodito; 4 Erotes (“amor inconsequente”, “amor correspondido”, “amor sexual”, “paixão”); Priapo; Eneas.

Alguns autores afirmam que ela já nasceu grávida dos 4 erotes… MIstériooooooosss

By unknown ancient Rome artist, photo of Stephen Haynes – archive of Stephen Haynes: http://www.shaynes.com/Photos/Italy_Spring_2004/CRW_8457.htm, Public Domain, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=5499466

Deméter (deusa mãe da terra) foi mãe de:

Perséfone (“donzela”, deusa das ervas, flores, frutos, perfumes); algumas versões afirmam que foi mãe de Pluto (Plutus, Plutô – deus da riqueza).

By Walter Crane – The story of Greece : told to boys and girls (1914) by Mary Macgregor, Public Domain, https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=32804547


A maioria dos mitólogos diz que Ártemis e Atená não tiveram filhos…

Contudo, há quem afirme que depois de uma investida de Hefestos, Atená ficou grávida de Erctônio de Atenas (primeiro rei mítico).

E claro, não podemos esquecer (jamais!) de Geia/Gaia, que mesmo sendo filha do Caos, foi a mãe soberana de tudo e todos!

Minha total reverência!


Gaia deveria estar também no Olimpo!

Se pensarmos bem, deveriam ter mais deuses e deusas por lá! 

Como esquecer de Nix (“noite”) que é mãe do Hipno (“sono”)? 

Como não lembrar de Mnemósina (“memória”) que é mãe das Musas (deusas das artes)? 

E Têmis (guardiã dos juramentos e julgamentos) que é mãe das Horas e das Moiras (destino)? 

Em tempos onde a saúde é um tema tão preocupante, como não citar Hígia (deusa da saúde, limpeza e “higiene”), cuja mãe foi Epione (“calmante”)? 

São tantos deuses e deusas que deveriam estar no Olimpo...

Muito agradecida por sua visita, volte sempre! 

Toda uma alegria você estar por aqui!

Até breve!

Clene Salles


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