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quarta-feira, 5 de novembro de 2025

Pela Fresta Te Vi, de Cesar de Mello Campos (Poética Sincera do Cotidiano)

 "Pela Fresta Te Vi – Relatos em Dois Tempos", de Cesar de Mello Campos, é um livro que se abre como uma janela entreaberta: não revela tudo de uma vez, mas convida o leitor a espiar, a sentir o vento que entra pela fresta, a pressentir o que está além do visível (porém, está no psíquico). É uma obra que se constrói na tensão entre o dito e o não dito, entre o que se mostra e o que se esconde, entre o que somos e o que poderíamos ter sido.





A Fresta como Metáfora

A "fresta" do título não é apenas uma abertura física, mas um espaço de ambiguidade, de dúvida, de revelação parcial. Cada conto, cada personagem, é uma fresta por onde espreitamos a complexidade humana: a crueldade e a ternura, a arrogância e a fragilidade, a certeza e o desamparo. Os relatos são como retratos tirados de um ângulo inesperado, onde a luz incide de forma a revelar sombras que, muitas vezes, preferiríamos ignorar.

Dois Tempos, Uma Só Alma

A divisão em "dois tempos" não é apenas estrutural, mas existencial. Há o tempo da infância, da descoberta, da ingenuidade que se perde; e há o tempo da idade adulta, das máscaras, das escolhas, resultados que nos definem e nos aprisionam. Em "Não", o narrador se apresenta como um ser formado pela negação, pela rejeição ao outro, pela certeza de sua própria superioridade; uma armadura que, no fundo, esconde o medo de não ser suficiente. Em "Primeiros", a voz é a de uma criança que ainda não sabe que o mundo é feito de perdas, que o amor dos pais é finito, que o brinquedo favorito um dia desaparecerá.

E assim, entre um tempo e outro, o livro nos pergunta: o que perdemos ao crescer? Não apenas a inocência, mas a capacidade de nos surpreendermos, de nos permitirmos ser frágeis, de aceitarmos que a vida é feita de frestas, e não de portas largas e seguras.

A Poética do Cotidiano

Cesar de Mello Campos escreve com uma linguagem que oscila entre o lírico e o cru, entre o poético e o prosaico. Há uma beleza nas pequenas coisas: no cheiro do café da manhã, no vento que bate no rosto durante um passeio de bicicleta, no gesto de uma mãe que cuida do filho. Mas há também a dureza do cotidiano: a solidão que se disfarça de independência, a raiva que se veste de orgulho, a tristeza que se camufla em ironia.

Os personagens são anti-heróis modernos: pais que não sabem amar, filhos que não sabem ser amados, mulheres que se perdem na busca por um amor que as complete, homens que se afogam na própria rigidez. São pessoas que, como nós, tentam se salvar da própria humanidade.

Filosofia da Imperfeição

O livro é uma meditação sobre a imperfeição como condição humana. Não há redenção fácil, não há finais felizes garantidos. Há apenas a vida, com suas frestas, suas rachaduras, suas janelas entreabertas. A pergunta que fica é: o que fazemos com o que vemos pela fresta? Fechamos os olhos? Tentamos abrir a porta à força? Ou aprendemos a viver com a luz que entra, e com a sombra que ela projeta?

Em "Deus me perdoe", a personagem feminina é uma mulher que se debate entre o desejo de posse e a consciência de que nada (nem mesmo o amor) é eternamente seu. Em "Eu me perdi", o narrador é um homem que se pergunta se ainda existe fora das máscaras que vestiu ao longo da vida. São todos seres em trânsito, que não encontraram ainda (e talvez nunca encontrem) um lugar seguro para pousar.

Por Que Ler Este Livro?

"Pela Fresta Te Vi" não é um livro para quem busca respostas. É um livro para quem ousa fazer perguntas: sobre si mesmo, sobre os outros, sobre o amor, a solidão, a passagem do tempo. É uma obra que incomoda, porque nos mostra que, muitas vezes, somos tão cegos quanto os personagens, e que, como eles, também vivemos à beira de um abismo, fingindo não ver.

Ler este livro é como olhar pela fresta de uma porta: você não vê tudo, mas vê o suficiente para saber que há algo além. E isso, por si só, já é uma revelação.


Trecho que fica: "Eu me perdi, mas ainda estou aqui. E estar aqui, mesmo perdido, é já uma forma de resistência."


Para quem é este livro?

  • Para quem gosta de literatura que corta como uma faca — não pela violência, mas pela precisão.
  • Para quem busca retratos humanos sem retoques, sem romantismos fáceis.
  • Para quem acredita que a poesia está no cotidiano, mesmo quando o cotidiano é feio, difícil, contraditório.


Nota final: ★★★★ (5/5) — Um livro que exige coragem do leitor, porque não oferece consolo fácil. Mas é justamente por isso que vale a pena: porque, ao final, você se sente menos sozinho na sua própria fresta.




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quarta-feira, 15 de outubro de 2025

Pela Fresta Te Vi (Livro Impresso/e-Book), César de Mello Campos (autor)

 

Pela Fresta Te Vi – consciência escrita em movimento 

Há livros que não se oferecem à pressa.
Pela Fresta Te Vi, de Cesar de Mello Campos, é um deles. Não se apressa porque é feito de zonas de silêncio, de pensamentos que disparam vozes e de vozes que, não resistindo, se tornam escrita.




 

As palavras nascem de um atrito; cercado de múltiplos conflitos.

A escrita ultrapassa o descrever: torna visível o invisível que habita cada consciência.

Encarna o que arde dentro de cada personagem.


Cada conto é uma superfície onde fé, culpa, desejo e memória se entrelaçam em tensão constante, compondo um retrato sensível e inquieto da alma contemporânea.

Aqui, a ficção não se limita ao enredo: é uma forma de pensamento.


Os personagens falam como se algo neles precisasse atravessar a linguagem para existir. 

Não há narradores condescendentes, nem moralizações: há consciência em ebulição, vidas que se revelam sem filtro nem defesa.

A escrita de Campos tem precisão e vertigem.
Move-se entre o humano e o simbólico, entre o cotidiano e o psíquico. Nos detalhes (um gesto mínimo, um olhar distraído, uma frase suspensa) a narrativa se inscreve com força e permanência. Cada história parece conter outra, subterrânea, que não se deixa capturar por inteiro.

Não é um livro de respostas, mas de reverberações.
As vozes atravessam o/a leitor/a e continuam ecoando quando a página se encerra.


É literatura que expõe o que pulsa, sem perder a delicadeza.

Distribuição gratuita da versão impressa (por tempo limitado) reforça a proposta do autor: a literatura como experiência partilhada, aberta à leitura, à escuta e à ressonância interior.


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Crédito do vídeo: Abstrato – vídeos de arquivo por Vecteezy






quinta-feira, 9 de outubro de 2025

Pela Fresta Te Vi (e-Book/Impresso), Cesar de Mello Campos (autor) – Uma Obra Que Registra O Movimento: Do Olhar, Do Tempo, Do Erro

 

Pela fresta te vi — quando a literatura descreve o silêncio do humano

Entre o adulto que se justifica e a criança que observa, Cesar de Mello Campos escreve um espelho em duas vozes: uma ficção que se lê como confissão e se sente como cicatriz.




Ver e ser visto não são atos neutros: revelam o poder, a fragilidade e o silêncio profundamente psíquico de quem observa; e de quem é observado. Entre o adulto que se defende e a criança que ainda não sabe nomear o mundo, Cesar de Mello Campos constrói uma narrativa que reflete o tempo: o que ele apaga e o que insiste em permanecer.

Há livros que vão muito além do comum: abordam verdades nuas e cruas; não denunciam nem absolvem, apenas revelam.


Pela fresta te vi, de Cesar de Mello Campos, é desses. A cada página, o autor abre um vão entre o mundo e a consciência, entre o que se diz e o que se cala, e não poupa palavras nesse processo.

O resultado é uma narrativa em dois tempos, mas de um mesmo ser que tenta se reconhecer: o homem que fala de si com lucidez brutal e a criança que ainda não entende o peso do que vê.


A primeira voz (quase um monólogo interior) exibe um personagem que acredita dominar a razão, a moral, a família e o próprio destino. Ele se diz reto, fiel, firme. Mas o leitor, pela fresta, enxerga o avesso: o medo travestido de orgulho, o controle disfarçado de virtude, a fé que serve apenas de espelho para o ego.


A segunda voz é outra: a da essência, da inocência da infância que descreve o mundo com uma ternura confusa, tentando entender o amor, o silêncio dos pais, o lugar que ocupa no olhar de quem o criou. São páginas de pureza e desamparo, em que o autor toca o coração do leitor sem precisar de sentimentalismo.


Entre uma parte e outra, há um fio invisível: a passagem do tempo como uma ferida que nunca cicatriza, apenas muda de forma. O adulto que narra poderia ter sido aquela criança; a criança, o esboço de quem um dia será esse homem. Não há resposta definitiva; apenas o reflexo de um olhar que tenta se entender antes que a vida se apague.


Uma literatura que revela sem acusar

Cesar de Mello Campos escreve com precisão cirúrgica, uma gramática impecável, mas sem frieza. Cada frase tem o peso de quem conhece o abismo humano e, mesmo assim, escolhe descrevê-lo com ternura, poesia e nuances filosóficas – no entanto, suas palavras são carregadas de humanidade. Ele não julga os personagens: os observa.


E talvez essa seja a força do livro: a recusa do maniqueísmo; o convite à empatia abrangente, que se deixa sussurrar em cada conto. .

Você conhece alguém que, em nome da retidão, esqueceu a delicadeza?
Alguém que, ao querer ensinar virtudes, acabou ferindo sem perceber?
O livro não aponta o dedo: apenas abre uma fresta para que a luz entre.

O leitor percebe, aos poucos, que há beleza também naquilo que dói, e que reconhecer a própria sombra é uma forma de salvação.


O tempo como espelho

Nas duas partes de Pela fresta te vi, o tempo não é linear.
Ele se dobra sobre si mesmo, ao mesmo tempo que desdobra, entra e sai de um labirinto,  como se o passado e o presente se observassem em silêncio.

A criança descreve o mundo como quem o inventa; o adulto o narra como quem tenta reescrevê-lo.


Entre ambos, o autor revela a mais filosófica das perguntas: o que resta de nós quando o tempo passa; e quando tudo o que fomos ainda respira dentro do que somos?

Essa indagação atravessa o texto com sutileza, sem discursos nem teorias. O livro fala de memória, culpa, desejo e esquecimento, mas com uma linguagem poética, de cadência lenta, que convida o leitor a contemplar.

Cesar escreve o invisível: o intervalo entre o pensamento e o gesto, entre a fala e o silêncio.
É ali, nesse espaço pequeno e essencial — nessa fresta — que nasce a literatura.


Pela fresta te vi não procura comover, mostra o abismo.
Ele observa o humano na contradição; e ali encontra a sua força.
Nenhum gesto é puro, nenhuma voz é inocente.
É dessa imperfeição que o livro extrai a sua beleza.

O humano é observado como um fenômeno, não um mero evento.

Cesar de Mello Campos escreve a partir da distância justa: aquela que permite ver, sem precisar julgar.


Em tempos de pressa e ruído, Pela fresta te vi é um livro que devolve ao leitor o direito de escutar e interpretar as entrelinhas, os gestos, os silêncios... Aquele instante curioso em que a lucidez se mistura à ternura. 


Uma obra que se inscreve na tradição da literatura brasileira contemporânea de introspecção, ao lado de nomes que exploram a interioridade sem medo do desconforto.

Ler Pela fresta te vi, de Cesar de Mello Campos, é observar o ser humano em sua complexidade: sem condenar, sem redimir, apenas ver (ou apenas assimilar pessoas com quem "esbarramos" por aí).


Pela fresta.









Distribuição gratuita da versão impressa (por tempo limitado)


São histórias que caminham entre fé, culpa e desejo: ecos de uma literatura brasileira contemporânea que não oferece atalhos, mas provoca e permanece.
Em Pela fresta te vi, cada conto traz a tensão dos contos psicológicos — heranças familiares, afetos imprevistos, dilemas sem resposta. É ficção literária que se inscreve no detalhe, no gesto mínimo capaz de transformar destinos.


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terça-feira, 13 de maio de 2025

Pela Fresta Te Vi, de Cesar de Mello Campos — disponível para empréstimo na Biblioteca Pública Municipal Sérgio Milliet

 Biblioteca Pública Municipal Sérgio Milliet

Segunda maior biblioteca pública da cidade de São Paulo, é constituída por um acervo multidisciplinar com mais de 140 mil títulos. As temáticas são vastas e incluem literatura, filosofia, periódicos, e ciências humanas, biológicas e exatas.

Empréstimo:
Cada usuário pode emprestar até 4 livros da seção circulante por 14 dias. Existe a possibilidade de renovação do empréstimo por mais 14 dias, caso os exemplares não tenham sido reservados.

Horário de funcionamento:
Terça a sexta, das 10h às 20h. Sábados e domingos, das 10h às 18h.
Nos feriados que ocorrem em dias úteis, a Biblioteca estará fechada.
A entrada é permitida até 30 minutos antes do fechamento.

Contato:
11 3397-4003
bibliotecaccsp@prefeitura.sp.gov.br

Endereço:
Rua Vergueiro 1000 CEP 01504-000 – Paraíso São Paulo
Sempre que posso, costumo visitar (e desfrutar) do Centro Cultural São Paulo. Para mim, é um lugar acolhedor, arejado, silencioso... Adoro fazer minhas pesquisas por lá.

Uma novidade!
O livro "Pela Fresta Te Vi - Relatos Em Dois Tempos", de Cesar de Mello Campos, já está disponível para empréstimo na Biblioteca Pública Municipal Sérgio Milliet (que me refiro neste post)





Versão e-Book na Amazon

Para versão impressa 
E-mail: cesardemellocampos@hotmail.com 

Dúvidas? Fale comigo:
WhatsApp 11 976944114 

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