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terça-feira, 17 de março de 2026

Nem tudo depende de nós: escolhas, limites e o que não está sob controle

Uma reflexão sobre liberdade, decisão e 

interdependência na vida cotidiana






Quando dizem que tudo depende de nós

Às vezes ouvimos que basta escolher. Em outros momentos, dizem que tudo depende de nós. A experiência concreta da vida, porém, não confirma (exatamente) essas afirmações de modo absoluto. 

O que depende de nós não depende só de nós. 

E mais: o que podemos (se é que podemos em sua inteireza) escolher exige excluir. E o que decidimos nem sempre controla o resultado.

E o mais curioso: excluir (algo importante para fazer andar ou alavancar nossos projetos) transita entre nossa escolha e não-escolha; e o mais delicado ainda: nem sempre temos liberdade-força para excluir o que bem nos dá na cabeça... 

Existe liberdade, mas não inteira. Existe limite, mas ele não é apenas obstáculo; não é preciso franzir o cenho ao ler/ouvir a palavra limite — ela tem seu lado bom, pode eventualmente nos remover do caos). 

Em muitas situações, o limite também oferece reponsabilidade pessoal e interpessoal, contorno, medida, até certa segurança. Sem limite, não há forma; sem forma, não há decisão viável.


Escolher sempre implica perder algo

Quando escolhemos, não lidamos apenas com o possível e o impossível. Muitas vezes escolhemos entre várias possibilidades reais. E toda escolha, mesmo consciente, exclui caminhos que também poderiam ter sido vividos.

Há vontade, há opções, há intenção. Mas há também circunstância, tempo, condição, contexto, reação dos outros, acontecimentos que não controlamos. Mesmo o que depende de nós acontece dentro de um campo maior, onde tudo se move ao mesmo tempo.

Por isso, decidir nunca é um ato totalmente livre, nem totalmente determinado. Há sempre uma mistura de liberdade e não-liberdade, de escolha e exclusão, de decisão e imprevisibilidade e, principalmente, circunstâncias - sendo que elas, em sua grande maioria, está susceptível ao acaso e imprevistos. 


Dependência, interdependência e limite

Nem tudo está sob nosso controle, mas nem tudo está fora dele. 

Vivemos numa zona intermediária, onde o que fazemos depende de nós e, ao mesmo tempo, depende de muitos outros fatores.

O que depende de nós não depende só de nós.


O que podemos escolher exige excluir (dentro de qualquer contexto).


O que decidimos não controla o resultado e, paradoxalmente, o que decidimos também nos escolhe.


Há liberdade, mas também limite, e há certa maturidade nisso.

Há vontade, há (im)possibilidades de escolha, mas existe também (isso é quase inegável) todo o movimento, eventos, climas  que estão ao nosso redor — que se torna quase impossível decidir, incluir-excluir pontualmente tudo como queremos.

Vivemos na interdependência de tudo, tentando escolher dentro de um mundo que nunca se entrega inteiro às nossas mãos.

Compreendo que o humano pode querer tudo, claro, querer algo já á algo que nos remove da inércia, mas considero aqui que não dá para abraçar o mundo inteiro — mas dá para elaborar e cooperar com as escolhas dentro das suas potencialidades natas ou adquiridas. 







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sábado, 22 de novembro de 2025

Por Que a Autossuficiência Não Basta — e o Que a Interdependência Tem a Nos Ensinar

Nem o isolamento da independência, nem a prisão da codependência. Um convite para reconstruir as relações humanas com lucidez, empatia e responsabilidade afetiva.




Em um tempo que glorifica o desempenho e a suposta força da autossuficiência, muitos passaram a confundir liberdade com afastamento e autonomia com solidão.

A ideia de que ser forte é “dar conta de tudo” tem produzido um vazio silencioso, uma erosão da presença genuína. 

No extremo oposto, a codependência transforma o vínculo em submissão, alimentando padrões de controle e apagamento. Diante desses excessos, surge a pergunta essencial: como criar relações humanas verdadeiras sem perder o próprio contorno? A resposta se encontra na interdependência saudável, uma forma de conexão que preserva a autonomia, sustenta o apoio mútuo e honra a integridade de cada pessoa.

Nem independência endurecida, nem dependência frágil, nem vínculos que sufocam. 

O momento atual talvez nos convoque a praticar uma interdependência consciente, sustentada pela empatia, pela entreajuda e pela maturidade emocional — pilares que tornam as relações mais estáveis e, acima de tudo, mais humanas. Essa perspectiva rejeita tanto o isolamento quanto a fusão desproporcionada, viciante, propondo um caminho onde autonomia e vínculo caminham lado a lado.

A independência extrema reforça a crença ilusória de que “não precisamos de ninguém”, afastando-nos da vulnerabilidade que nos humaniza. 

A dependência, por sua vez, entrega ao outro o peso de sustentar o que é nosso.

E para acrescentar, a codependência aprofunda essa distorção, criando dinâmicas de controle, ressentimento e desgaste emocional. 

A interdependência saudável, ao contrário, reconhece nossa natureza relacional e compreende que crescer acompanhado pode ser mais lúcido do que resistir só. Ela exige comunicação clara, honesta, objetiva; limites saudáveis; respeito e responsabilidade; e a capacidade de enxergar o outro com profundidade, sem abrir mão da própria identidade. 

É uma prática que fortalece a singularidade ao mesmo tempo em que amplia o campo compartilhado. Trata-se de colaborar com autenticidade, de oferecer e receber apoio sem perder a forma interior. 

E, em um mundo marcado por transformações rápidas, crises coletivas e desafios ambientais, essa postura torna-se indispensável, não apenas para relações equilibradas, mas para o cuidado com crianças, animais e o próprio planeta.




Os caminhos que percorremos também nos percorrem: moldam nossa percepção, ampliam nossa humanidade, redesenham nosso pertencimento. 

Quando estabelecemos vínculos sustentados por respeito, confiança e apoio mútuo, a travessia se torna mais leve, não exatamente por ausência de desafios, mas pela maturidade emocional e consciência espiritual que construímos ao longo dela.

Relações verdadeiras acolhem a diversidade como riqueza, não ameaça. 

A pluralidade de modos de ser amplia horizontes e fortalece vínculos. Quando um relacionamento se apoia no afeto, na clareza e na sinceridade, ele deixa de ser fusão que desgasta e se torna cooperação que expande corpo, mente e espírito. A interdependência saudável não é ideal abstrato: é prática diária, é habilidade humana, é gesto de presença consciente.

E é nesse equilíbrio, entre ser e pertencer, entre liberdade e vínculo, é que encontramos relações mais maduras, mais estáveis e mais vivas.




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sexta-feira, 14 de março de 2025

Flow

Gato é um animal solitário, mas quando seu lar é devastado por uma grande inundação, ele encontra refúgio em um barco povoado por várias espécies, e tem que se unir a elas apesar de suas diferenças.





Straume (Brasil: Flow) é um filme de animação de aventura e fantasia de 2024, dirigido por Gints Zilbalodis e escrito por Zilbalodis e Matīss Kaža. 

O filme é notável por ser completamente renderizado no software de código aberto Blender e não conter nenhum diálogo.

Após sua estreia no Festival de Cinema de Cannes de 2024, o filme recebeu aclamação da crítica e ganhou vários prêmios de cinema e animação, incluindo os prêmios de Melhor Filme de Animação no European Film Awards, no New York Film Critics Circle Awards, no Los Angeles Film Critics Association Awards e no National Board of Review Awards. O filme foi selecionado como a entrada letã de Melhor Longa-Metragem Internacional no 97º Oscar. No dia 2 de março de 2025, o filme venceu o Oscar de melhor filme de animação, marcando a primeira vitória no Óscar para a Letônia.

Inúmeras salvas de palmas para todos/as envolvidos/as. 

O que eu pensei depois de assistir

Vai além do que eu pensei, na verdade eu senti, durante e depois de secar as lágrimas.

Sim, eu acredito em histórias. Sei que elas nos ajudam a rever elementos internos ainda não identificados e que podem ser elaborados. 

Há muitos detalhes – que eu confesso que viraria um textão – ou até mesmo seria algo para um bate-papo com amigos(as) e admiradores(as) deste sensível, maravilhoso e tão  necessário, relevante, longa animado que se chama "Flow". 

No entanto, neste momento, vou me ater no seguinte:

Nem independência, nem dependência, nem codependência. Talvez o momento solicite de todos nós uma interdependência saudável, baseada na entreajuda e na empatia, para que possamos seguir em frente.

Esse pensamento que me invadiu, propõe um novo olhar sobre as relações humanas, indo além dos extremos de independência, dependência e codependência. 

A interdependência saudável surge como um caminho de equilíbrio, onde a autonomia individual se vê (agora) num ponto de necessidade urgente de reestruturação, e se bem trabalhada, combina com a colaboração real, autêntica e o apoio mútuo.

Enquanto a independência valoriza a autossuficiência e a liberdade individual, muitas vezes desmedida, levando a um distanciamento emocional e à crença de que "não precisamos de ninguém", a dependência coloca o outro como peça essencial para a própria existência, gerando fragilidade, abrindo portas para possíveis humilhações. Já a codependência pode criar dinâmicas desequilibradas, onde o bem-estar de uma pessoa está excessivamente atrelado ao comportamento e às emoções da outra, resultando em relações disfuncionais.

A interdependência saudável, por outro lado, reconhece que somos seres sociais e que crescer, evoluir e superar desafios faz mais sentido quando há um apoio legítimo recíproco, sem perder nossa individualidade, mas, por outro lado mantendo-nos conscientemente interconectados na diversidade. 

Trata-se de entreajuda, de compreender que podemos compartilhar forças sem perder a essência, de praticar a empatia para enxergar o outro em sua totalidade.

Neste momento de tantas transformações e desafios, talvez exercitar essa interdependência consciente, onde a entreajuda e a empatia nos permitam construir relações mais equilibradas, pensar no futuro das nossas crianças e animais, fazer o que for possível para proteger e amparar o Planeta Terra. 

O caminho não é simplesmente uma jornada que trilhamos sozinhos e nem é um símbolo isolado; ele, o caminho, também nos transforma, nos representa, molda nossa percepção, redesenha, reconfigura e ressignifica nosso senso de pertencimento. 

Quando cultivamos conexões baseadas no sincero apoio mútuo, na confiança e no respeito, a jornada pode se tornar mais leve. 

A união legítima, aquela que nasce do reconhecimento genuíno do outro e da aceitação das diferenças, fortalece laços e nos aproxima de uma convivência mais harmônica. Os problemas sempre existiram e sempre existirão, há que ter maturidade com isso. 

A diversidade é bela, simplesmente linda, rica, poderosa. 

E, quando essa união se fundamenta no afeto, na compreensão e na sinceridade, ela se torna verdadeiramente amorosa — não como uma fusão que descompense, mas como uma cooperação de corpo, alma e espírito que potencializa. 

Assista, vale cada segundo. 



Trailer

https://www.youtube.com/watch?v=82WW9dVbglI


Alguns links sobre "Flow"

https://aventurasnahistoria.com.br/noticias/reportagem/flow-veja-a-inspiracao-da-vida-real-por-tras-da-animacao.phtml 

https://www.terra.com.br/vida-e-estilo/tres-curiosidades-sobre-flow-que-podem-te-dar-ainda-mais-vontade-de-ver-o-filme,b37d21747fe6077d606497f41c23214c88ro7djr.html#google_vignette

https://g1.globo.com/pop-arte/cinema/noticia/2025/03/09/estatueta-do-oscar-de-animacao-de-flow-e-exposta-em-museu-da-letonia-e-gera-fila-de-mais-de-uma-hora-veja-video.ghtml



Você sabe quais são os animais que aparecem em Flow?

Gato, Cachorro, Capivara, Lêmure, Ave Secretário, Baleia

E você? Assistiu Flow? Qual foi sua impressão?

Escreva nos comentários a sua opinião :) 

Fique à vontade para compartilhar. 











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A importância do mistério para escritores e para a vida

Por que a busca pelo desconhecido ou a conexão com o mistério ainda molda quem escreve, quem lê e quem vive, mesmo na era das respostas pron...