Da logline ao "Leia mais": glossário, contagem de caracteres e modelos para cada contexto editorial
Tudo começa na primeira frase
Imagine: você passou meses — talvez anos — organizando ideias, pesquisas e vivências. O livro de não ficção está pronto, ou pelo menos muito bem planejado. Agora precisa convencer um editor, um agente literário ou o leitor da contracapa (se for impresso) ou leitor da Amazon de que essa obra merece ser lida. Você tem, no máximo, uma página para fazer isso. Nos dias atuais, metade de uma página.
Essa página é a sinopse. E a maioria das pessoas a escreve de um jeito que afasta qualquer interesse.
Por quê? Porque tratam a sinopse como um mini sumário tedioso, quando ela deveria funcionar como uma ferramenta de venda.
Você já reparou que a maioria das sinopses de não ficção parece bula de remédio?
"Este livro apresenta um método revolucionário. O Capítulo 1 explica X, o Capítulo 2 aprofunda Y, o Capítulo 3 traz Z…"
Chato. Esquecível. Nem sempre fisga, a não ser que o leitor precise daquele conteúdo com uma urgência quase médica.
A sinopse não é uma ata do sumário. É uma promessa embalada em lógica narrativa. E essa lógica muda radicalmente dependendo do tipo de não ficção que você escreve.
Neste artigo, você vai sair com estrutura, modelos adaptáveis, checklist e clareza suficiente para escrever uma sinopse que não apenas descreve — mas seduz.
Primeiro: vamos calibrar o vocabulário (porque todo mundo confunde tudo)
Antes de qualquer passo a passo, precisamos resolver um problema básico: a confusão entre termos que parecem sinônimos, mas não são. Usar a palavra errada na hora errada gera ruído com editores e agentes — e sinaliza despreparo.
Resumo
Condensação objetiva do conteúdo. Conta o que o livro entrega, sem julgamento nem argumento de venda. Trata-se da informação da obra, não persuasão. Útil para uso pessoal e acadêmico. Inútil para convencer um editor.
Sinopse
Texto persuasivo que apresenta o livro com o objetivo de convencer alguém a lê-lo, publicá-lo ou comprá-lo. Conta o essencial de um jeito que gera desejo. É o texto central deste artigo.
Resenha
Avaliação crítica da obra, geralmente escrita por terceiros — jornalistas, blogueiros, outros autores. Analisa méritos e limitações. Não é função do autor escrever a própria resenha.
Orelha (ou flap)
Texto interno das abas da capa do livro. Pode apresentar o autor com mais profundidade ou oferecer contexto adicional sobre a obra. Geralmente mais curto que a contracapa, com tom ligeiramente diferente.
Contracapa (quarta capa)
Texto na face externa da capa traseira do livro físico. É uma versão da sinopse adaptada para seduzir o leitor na livraria, em poucos segundos de atenção. Onde entram também os blurbs.
Em tempo: blurbs podem também ser incluídos em livros digitais, peça para o diagramador e capista cuidar disso para você :)
Blurb
Citação elogiosa de uma pessoa de credibilidade — outro autor, especialista, jornalista — usada como depoimento. Não é escrito por você. É conquistado por você. (Voltamos a isso numa seção inteira mais adiante.)
Pitch
Versão ultra-comprimida da sinopse para uso em conversas presenciais com editores em feiras, eventos ou reuniões. De 2 a 3 frases que capturam a essência e o diferencial. Precisa sair naturalmente, sem tropeçar. É também aquela versão que você consegue contar rapidinho numa conversa dentro do elevador (claro, espero que a pessoa não desça no segundo andar (risos)).
Logline
Ainda mais condensado que o pitch. Uma única frase que contém o coração do livro: quem, o quê e por que importa. Vem do universo do cinema, mas migrou para o editorial. É o exercício mais difícil — e o mais revelador sobre a maturidade do conceito.
Por que isso importa? Porque cada contexto pede um formato diferente. Confundir blurb com sinopse, ou pitch com resumo, mostra ao editor (e para os/as leitores/as também) que você ainda não entende o processo.
Definição da quantidade dos caracteres: cada contexto tem sua medida
Um dos erros mais frequentes ao escrever sinopses é ignorar os limites de cada plataforma ou destinatário. Aqui estão os principais:
Para editoras e agentes literários
250 a 500 palavras (aproximadamente 1.500 a 3.000 caracteres com espaços). Esse é o padrão internacional, consagrado pelas principais agências do mercado anglófono e crescentemente adotado no Brasil. Ocupa entre meia e uma página A4, fonte 12, entrelinhamento padrão.
Atenção: algumas editoras pedem sinopse de uma página inteira. Outras, especialmente para projetos não solicitados, querem menos. Sempre leia o edital ou as diretrizes de submissão antes de ajustar.
Para a contracapa do livro
150 a 250 palavras (aproximadamente 900 a 1.500 caracteres com espaços). Texto pensado para ser lido em pé, na livraria, em menos de um minuto. Cada frase precisa ganhar o seu lugar e fazer com que o leitor/a suspenda as sobrancelhas e em seguida dirija-se ao caixa.
Para a Amazon e livrarias digitais
Aqui é onde a coisa fica mais estratégica — e tem uma armadilha específica que vamos detalhar numa seção própria.
A Amazon permite descrições com até 4.000 caracteres com espaços. Mas esses 4.000 caracteres não aparecem todos de uma vez. Antes do botão "Leia mais", o leitor vê apenas as primeiras 600 a 650 caracteres — cerca de 100 palavras. O que vem depois fica escondido.
Para o pitch presencial
25 a 50 palavras. Uma frase longa ou três frases curtas. Deve sair naturalmente em uma conversa.
Para a logline
Uma frase. De 15 a 25 palavras. É o exercício mais difícil — e o que mais revela se a ideia está madura.
| Contexto | Palavras | Caracteres (aprox.) |
|---|---|---|
| Logline | 15–25 | 90–150 |
| Pitch | 25–50 | 150–300 |
| Contracapa | 150–250 | 900–1.500 |
| Sinopse editorial | 250–500 | 1.500–3.000 |
| Amazon (visível antes do "Leia mais") | ~100 | 600–650 |
| Amazon (total disponível) | ~650 | 4.000 |
As duas grandes famílias da não ficção — e por que isso muda tudo
Antes de qualquer modelo, você precisa saber a qual família pertence o seu livro. A sinopse de um livro prescritivo funciona de um jeito completamente diferente da sinopse de um livro narrativo.
1. Não ficção prescritiva (ou prática)
É o terreno do "como fazer": metodologias, guias, desenvolvimento pessoal, negócios, saúde, produtividade, finanças, parentalidade. O leitor quer resolver um problema ou alcançar um resultado.
Exemplos: O Poder do Hábito, Trabalhe 4 Horas por Semana, Mindset: A Nova Psicologia do Sucesso.
A sinopse precisa mostrar: qual é o problema urgente → como o método resolve isso de forma única → por que o autor é a pessoa certa para guiar essa jornada.
2. Não ficção narrativa (ou literária)
Aqui a história real é o centro: memórias, autobiografias, biografias, reportagem literária, jornalismo narrativo. O leitor quer se conectar emocionalmente com uma jornada de transformação.
Exemplos: Educated (Tara Westover), O Diário de Anne Frank, Sapiens (Yuval Noah Harari).
A sinopse precisa mostrar: a voz narrativa, o conflito humano central, a trajetória de superação ou descoberta, e o tema universal que faz essa história pessoal interessar a estranhos.
Metáfora rápida: a sinopse prescritiva é como um mapa que mostra o caminho até o tesouro. A sinopse narrativa é um trailer emocionante que mostra alguém encontrando o tesouro. Não confunda as ferramentas.
O que sua sinopse precisa conter: os ingredientes essenciais
Independentemente da família do livro, há elementos que toda sinopse eficiente precisa ter. Alguns são obrigatórios em qualquer contexto. Outros são estratégicos e variam conforme o destinatário.
1. Cenário e ambiente: o livro existe num mundo
Não estou falando apenas de localização geográfica ou época histórica — embora esses elementos sejam centrais em narrativas de época. Estou falando do cenário cultural, social ou de mercado em que o livro existe e ao qual ele responde.
Por que esse tema importa agora? O que está acontecendo no mundo, na cultura, na ciência ou no comportamento humano que torna este livro urgente? O leitor precisa sentir que você está respondendo a uma demanda real.
Para livros prescritivos: "Em um mundo onde a sobrecarga de informações tornou a tomada de decisão um exercício de exaustão, a maioria dos métodos de produtividade disponíveis ainda parte de uma premissa equivocada."
Para livros narrativos: "Numa época em que o debate sobre identidade e pertencimento domina a conversa pública, a trajetória de [personagem] ilumina o que os discursos ideológicos insistem em deixar de fora."
2. O tema central: assunto não é o mesmo que tema
O assunto é o que o livro trata (produtividade, maternidade, racismo no trabalho, alimentação).
O tema é o que o livro diz sobre esse assunto — a tese, a revelação, a contradição que ele expõe.
- Assunto: gestão do tempo. Tema: você não precisa de mais tempo, precisa resedenhar suas decisões.
- Assunto: maternidade. Tema: tornar-se mãe não apaga quem você era antes — e fingir que apaga tem um custo alto.
A sinopse que só anuncia o assunto é genérica. A sinopse que anuncia o tema é memorável.
3. Público-alvo: não é "todo mundo que quer ser feliz"
Seja específico a ponto de desconforto. "Mães solteiras empreendedoras entre 30 e 45 anos que sofrem com a desorganização financeira" é muito mais útil do que "mulheres modernas".
O paradoxo do público-alvo: quanto mais específico você é, mais pessoas se identificam. Porque o leitor quer ser visto, não incluído numa categoria vaga.
Descreva o leitor ideal com clareza: quem é, qual é a dor, em que momento da vida se encontra, o que já tentou antes sem sucesso.
4. A frase de impacto que abre o apetite
A primeira frase (ou o primeiro parágrafo) da sinopse determina se o resto vai ser lido. Ela precisa criar uma pergunta na mente do leitor, ativar uma dor que ele já sente ou apresentar uma contradição que ele ainda não soube nomear.
Formatos que funcionam:
Dado surpreendente: "7 em cada 10 profissionais que fizeram cursos de gestão do tempo dizem que ainda se sentem sobrecarregados."
Contradição: "O maior inimigo da criatividade não é a falta de ideias. É o excesso delas."
Pergunta incômoda: "E se tudo que você aprendeu sobre poupar dinheiro estivesse te afastando da riqueza?"
Cena-relâmpago: "Aos 43 anos, após 18 anos como executiva, ela pediu demissão numa tarde de sexta-feira e passou o fim de semana inteiro sem conseguir responder a uma pergunta simples: quem sou eu fora do meu cargo?"
5. O que diferencia este livro: os comp titles
Comp titles (títulos comparáveis) são referências de mercado que ajudam o editor a entender onde o seu livro se encaixa nas prateleiras — e o que o torna diferente dos vizinhos.
O formato mais eficiente: "Para leitores de [Título A] e [Título B], este livro oferece [o que os outros não têm]."
Exemplos:
- "Para quem leu O Poder do Hábito e queria um passo a passo mais prático para o contexto e a realidade financeira brasileira..."
- "Para quem amou Educated e busca uma narrativa de superação com raízes latino-americanas e sotaque próprio..."
Citar comp titles não é fraqueza: é sinalização de mercado. Mostra ao editor que você conhece o terreno. Escolha títulos dos últimos cinco anos, com vendas expressivas, mas não tão massivos que a comparação soe presunçosa.
6. Qualidades e habilidades do autor: a prova que você não pode omitir
Editores e leitores querem saber: quem é você para escrever sobre isso?
Para livros prescritivos, as credenciais são diretas: formação, anos de experiência, resultados comprovados, tamanho da audiência, palestras, presença em mídia.
Para livros narrativos, a autoridade é diferente: você viveu isso, pesquisou por anos, teve acesso único, ou traz um olhar que só você poderia trazer.
O erro mais comum é a modéstia exagerada ("sou apenas uma professora do interior que...") ou, no extremo oposto, o currículo completo em blocos de texto. O ponto certo é o meio-termo: uma mini biografia de 3 a 5 linhas que responda "por que este autor para este livro".
Se você já tem plataforma — seguidores, podcast, coluna, comunidade — mencione. Editores adoram autor que já tem tribo.
7. Problema, desafio, solução e valor conquistado
Este é o coração da sinopse prescritiva. A estrutura:
Problema: o que está errado, faltando ou causando dor. Desafio: por que as soluções existentes não resolvem (ou resolvem pela metade). Solução: o que o livro oferece de específico e diferente. Valor conquistado: o que o leitor ganha ao terminar — não só informação, mas transformação concreta.
O valor conquistado é o que muitos autores esquecem. Não basta dizer o que o livro ensina. Precisa dizer como a vida do leitor vai ser diferente depois.
Exemplo fraco: "Este livro ensina técnicas de gestão financeira pessoal."
Exemplo forte: "Ao terminar este livro, o leitor terá um plano de 90 dias para eliminar dívidas sem abrir mão do que realmente importa para ele."
Dois exemplos de abertura que funcionam
Para ilustrar o que foi dito acima, dois modelos de frase-gancho:
Exemplo 1 — finanças e empreendedorismo
"Como uma mãe solo, com dois filhos e um salário apertado CLT, conseguiu economizar R$ 300 por mês e, em quatro anos, abrir sua própria confeitaria sem pedir dinheiro emprestado a ninguém."
Exemplo 2 — educação e aprendizagem (para você explorar também)
"Como um professor de matemática que reprovou três vezes no vestibular criou um método que hoje aprova 94% de seus alunos no Enem — e o que isso revela sobre tudo que sabemos (errado) sobre aprendizagem."
Perceba que nenhum dos dois começa com "este livro vai te ensinar". Os dois começam com uma história ou com uma contradição. O leitor entra por curiosidade, não por obrigação.
A anatomia passo a passo
Para livros prescritivos
Passo 1 — O gancho (1 a 2 parágrafos curtos) Dado surpreendente, contradição, cena ou pergunta. Instala um problema real na cabeça do leitor antes de qualquer proposta de solução.
Passo 2 — O problema central (1 parágrafo curto) Torne a dor explícita. Use dados, observações ou constatações do senso comum que ninguém ainda resolveu. Não suavize.
Passo 3 — A solução: sua promessa única (1 a 2 parágrafos curtos) Apresente o método, framework ou abordagem. Seja específico. "Método inovador" não diz nada. "Protocolo desenvolvido em 12 anos de atendimento clínico, testado com 3.000 pacientes, com 3 etapas aplicáveis em 5 minutos por dia" diz muito.
Passo 4 — A estrutura da obra (1 parágrafo curto) Apresente a progressão, não a lista de capítulos. "Na primeira parte, o leitor diagnostica o padrão que o prende. Na segunda, aprende a interromper o ciclo. Na terceira, implementa um sistema de manutenção que não depende de força de vontade."
Passo 5 — Público-alvo e mercado (1 parágrafo curto) Quem vai comprar este livro, com especificidade real. Onde esse leitor está. O tamanho potencial do mercado, se você tiver dados.
Passo 6 — Diferencial competitivo e plataforma do autor (1 parágrafo curto) Comp titles, lacuna que o livro preenche, credenciais relevantes. Plataforma existente (audiência, comunidade, mídia).
Para livros narrativos
Passo 1 — Abertura com a voz do livro (1 parágrafo curto) Um parágrafo que capture o tom da narrativa e instale a pergunta central: o que está em jogo para esse ser humano?
Passo 2 — A jornada de transformação (2 a 3 parágrafos curtos) Situação inicial → conflito crescente → ponto de virada → desfecho. Sim, na sinopse para editores você revela o final. Suspense comercial aqui é um erro — editores não gostam de drama desnecessário.
Passo 3 — Temas universais (1 parágrafo curto) Por que essa história pessoal ressoa além de quem a viveu: luto, pertencimento, identidade, injustiça, coragem, reinvenção.
Passo 4 — Contexto e relevância (1 parágrafo curto) Por que agora. O que o cenário cultural, social ou histórico ganha com essa história.
Passo 5 — Autoridade e autenticidade do autor (1 parágrafo curto) O que te dá o direito de contar essa história — pelo vivido, pelo pesquisado, pelo acesso único ou pelo olhar que só você traz.
O caso especial da Amazon
A Amazon não é apenas uma livraria. É o maior motor de descoberta de livros no mundo — e tem suas próprias regras de persuasão.
Quando um leitor chega à página do seu livro na Amazon, ele vê, nessa ordem:
- A capa
- O título e subtítulo
- As estrelas e o número de avaliações
- As primeiras linhas da descrição (antes do "Leia mais")
- O preço
Aquelas primeiras linhas são o momento de decisão. Você tem aproximadamente 600 a 650 caracteres — cerca de 100 palavras — para fazer o leitor clicar em "Leia mais" ou decidir comprar.
O que não pode estar nesse primeiro bloco:
- Sua biografia detalhada
- O sumário completo
- Blurbs de terceiros
- Agradecimentos ou contexto histórico extenso
O que precisa estar nesse primeiro bloco:
- A dor ou o desejo que o leitor já sente
- A promessa central do livro
- Uma frase que cria urgência ou curiosidade irresistível
Dica de formatação: a Amazon aceita negrito (<b>texto</b>) nas descrições. Use com moderação para destacar a promessa central ou uma frase-chave. Não use em cada linha — o contraste funciona justamente porque é raro.
Estratégia para os 4.000 caracteres disponíveis:
- Bloco 1 (visível, ~600 caracteres): gancho + promessa central
- Bloco 2 (após "Leia mais"): estrutura da obra + público-alvo
- Bloco 3: credenciais do autor + comp titles
- Bloco 4 (opcional): blurbs de destaque
Blurbs: o endosso que você conquista, não escreve
O blurb é a citação elogiosa que aparece na capa, na contracapa ou na abertura do livro. É escrito por outra pessoa — de preferência alguém com autoridade reconhecida pelo mesmo público que vai ler o seu livro.
Por que blurbs importam
O leitor que ainda não te conhece precisa de uma prova social de alguém que ele já conhece. Um blurb bem colocado pode ser o fator decisivo na compra — especialmente para autores em início de carreira.
Como conseguir blurbs antes do lançamento
A maioria dos autores sente que pedir blurb é um abuso, ou é provocador de rubor facial imedito. Não é. É prática padrão do mercado editorial. O processo:
- Selecione de 10 a 20 pessoas com autoridade no seu nicho — autores, especialistas, jornalistas, influenciadores.
- Envie o manuscrito (ou capítulos representativos) com uma carta curta e educada, explicando o livro e pedindo uma citação de 2 a 3 frases para uso editorial.
- Dê prazo razoável — 3 a 4 semanas.
- Aceite os que chegarem. Não edite sem permissão explícita.
Algumas pessoas vão ignorar. Isso faz parte. Quem responde, geralmente responde com cuidado.
O que torna um blurb eficiente
- Específico (menciona algo concreto do livro, não elogios genéricos como "leitura essencial")
- Da pessoa certa (com autoridade reconhecida pelo público-alvo do livro)
- Curto (2 a 3 frases no máximo)
Exemplo de blurb fraco: "Um livro incrível que todo mundo precisa ler."
Exemplo de blurb forte: "Em 20 anos cobrindo o mercado financeiro, raramente encontrei uma abordagem que equilibre rigor técnico e linguagem acessível com tanto cuidado. [Nome do livro] preenche uma lacuna real."
A diferença: o segundo blurb deixa claro que quem fala tem credencial, leu de fato e identificou algo específico.
Erros comuns que transformam sua sinopse em repelente
❌ A sinopse como índice disfarçado "O Capítulo 1 fala sobre X. O Capítulo 2 aborda Y..." ✅ Solução: mostre a progressão da transformação, não a lista de conteúdos.
❌ Falta de foco no conceito central Se você não consegue explicar o livro em dois parágrafos, a ideia ainda não está madura. ✅ Solução: escreva a logline primeiro. Depois expanda.
❌ Tom acadêmico e distante "Abordagem teórico-metodológica" e "corpus bibliográfico" são repelentes. ✅ Solução: leia a sinopse em voz alta. Se soar como artigo científico, reescreva com verbos fortes e ritmo conversacional.
❌ Público-alvo genérico "Para todos que querem melhorar de vida" não serve a ninguém. ✅ Solução: seja específico a ponto de desconforto. Quem exatamente? Com qual dor específica? Em que momento?
❌ Esconder o final nos livros narrativos "E então tudo muda..." não funciona na sinopse para editores. ✅ Solução: conte a transformação completa. O suspense fica no livro, não na sinopse.
❌ Conectivos que enfraquecem o ritmo "Então", "porque", "foi quando", "entretanto", "felizmente", "infelizmente" — em excesso, deixam o texto mole e previsível. ✅ Solução: revise frase por frase. Substitua por construções mais diretas e afirmativas.
❌ O autoelogio sem prova "Método inovador", "abordagem revolucionária", "único no mercado". ✅ Solução: mostre, não diga. Em vez de "método revolucionário", escreva "método desenvolvido em 12 anos de atendimento clínico, testado com 3.000 pacientes".
❌ Esquecer que a Amazon tem um "Leia mais" Colocar a melhor parte do texto depois do ponto de corte dos 600 caracteres é perder a única chance de convencer o leitor que ainda está decidindo. ✅ Solução: escreva o primeiro bloco da descrição Amazon como se fosse o único bloco que vai ser lido — porque, para muitos leitores, vai ser.
Checklist: as perguntas que sua sinopse precisa responder
Antes de enviar para qualquer pessoa, responda com honestidade:
- Em uma frase, do que trata o livro?
- Qual é o problema ou a pergunta central que ele resolve ou explora?
- Por que esse problema é urgente agora?
- Como o livro resolve isso de forma diferente do que já existe?
- Quem é o leitor ideal — com especificidade real?
- Qual é a estrutura lógica da jornada (partes e capítulos principais)?
- Que transformação o leitor ou protagonista vive?
- Por que você é a pessoa certa para escrever essa obra?
- Quais livros comparáveis existem e como o seu se destaca?
- Qual é a principal emoção que o leitor vai sentir ao terminar?
Se você travar em qualquer uma dessas perguntas, é sinal de que precisa voltar ao livro antes de avançar na sinopse.
Modelos prontos — copie, adapte e personalize
Modelo 1 — Livro prescritivo (desenvolvimento pessoal, negócios, saúde, guia prático)
[Frase gancho que instala o problema — dado, contradição ou cena]
Durante anos, [público-alvo específico] enfrentou [problema central], enquanto as soluções disponíveis insistiam em [crítica ao que não funciona]. A raiz do problema, no entanto, está em [nova perspectiva que o livro oferece].
Em [Título do Livro], [nome do autor], [credencial em uma linha], apresenta [nome do método ou abordagem], desenvolvido a partir de [experiência, pesquisa ou vivência concreta]. O livro conduz o leitor em [número de] partes: de [Parte 1] ao [Parte 2], até [Parte 3 — onde ocorre a transformação concreta].
Diferente de títulos como [Concorrente 1] e [Concorrente 2], esta obra oferece [diferencial específico e concreto]. Ideal para [leitor específico], [Título] é o guia para quem deseja [resultado concreto e mensurável].
[Nome do autor] é [mini biografia com 2 a 3 conquistas relevantes] e já impactou [número ou comunidade específica].
Modelo 2 — Livro narrativo (memórias, autobiografia, biografia, reportagem literária)
[Nome do autor/protagonista] tinha [idade ou contexto] quando [evento transformador]. Naquele momento, o que parecia [situação comum] revelou-se [conflito profundo].
Em [Título do Livro], acompanhamos [breve descrição da jornada: lugares, épocas, personagens-chave]. De [ponto de partida] à [virada decisiva], a narrativa tece [temas: luto, amor, reinvenção, pertencimento] que ecoam em qualquer pessoa que já precisou [experiência universal].
Ao final, [protagonista/autor] descobre que [lição ou transformação concreta]. Além de uma história pessoal, este livro é um testemunho sobre [tema maior] num tempo em que [relevância atual e específica].
[Autor], que já [credenciais: prêmios, publicações, vivência específica que dá autoridade narrativa], traz uma voz que [característica marcante do estilo ou do ponto de vista].
Para aprofundamento
- Escreva Seu Livro — Laura Bacellar e Sidney Guerra (YouTube): referência brasileira, com curso específico sobre sinopses de ficção e não ficção para o mercado nacional (para assinantes).
Sobre mim
Olá! Eu sou Clene Salles, Ghost Writer, Copydesk, Tradutora (Espanhol/Português), e também presto serviço de Mentoria Literária para Escritores/as Iniciantes
Trabalhei como freelancer, em mais de 150 publicações, para as seguintes editoras: Melhoramentos, Abril, Larousse, Planeta do Brasil, Prumo, Ediouro, Letraviva, Évora, Girassol, Ave-Maria entre outras; e com Projetos Editoriais Customizados no Brasil e no Peru.
Eu Ajudo Você A Escrever O Seu Livro
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