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sexta-feira, 6 de setembro de 2024

Dicas Para Criar Fichas de Personagens

A Importância da Criação de Fichas de Personagens na Escrita de um Livro

Quando estamos desenvolvendo uma história, nossos personagens são os pilares que sustentam a narrativa. Eles não são apenas nomes em um papel, mas seres complexos que precisam ganhar vida e se conectar com os leitores. Para que isso aconteça de forma consistente e eficaz, a criação de fichas de personagens é uma prática indispensável. Abaixo, desenvolvo os motivos. 





1. Coerência na Jornada do Personagem

Uma ficha de personagem permite que o escritor mantenha a coerência ao longo da história. 

Detalhes como características físicas, traços de personalidade, motivações e traumas do passado ajudam a evitar inconsistências. 

Por exemplo, se um personagem tem medo de altura no início do livro, isso não deve ser esquecido em cenas futuras, a menos que tenha havido um desenvolvimento claro que explique a superação desse medo.


2. Profundidade e Verossimilhança

Personagens bem desenvolvidos são aqueles que têm camadas de complexidade, com características que vão além do óbvio. 

Ao registrar detalhes sobre o passado, crenças, gostos, medos e até hábitos, o escritor cria personagens mais realistas e humanos, capazes de gerar identificação ou empatia por parte do leitor. 

A verossimilhança é fundamental na construção de uma narrativa envolvente, pois é ela que faz o leitor acreditar nos eventos e nos personagens, mesmo em histórias fictícias ou fantásticas.

Esse conceito não significa que a história precisa ser real, mas que precisa parecer crível dentro do universo criado pelo autor. Quando as ações dos personagens, os diálogos e os eventos seguem uma lógica consistente, o leitor mergulha na história sem questionar sua plausibilidade, permitindo que a imersão seja completa.

Ao estabelecer uma verossimilhança sólida, o escritor garante que o leitor confie na trama e se conecte emocionalmente com os personagens. 

Incoerências, sejam elas pequenas ou grandes, podem quebrar essa confiança, afastando o leitor e comprometendo a experiência de leitura. 

Portanto, ao trabalhar o desenvolvimento da história, é crucial manter a coesão dos elementos narrativos, para que tudo que acontece no enredo, por mais extraordinário que seja, faça sentido dentro daquele universo específico.


3. Evolução e Arco Narrativo

Com a ficha de personagem, é possível mapear a trajetória emocional e psicológica dos personagens ao longo do livro. O leitor espera – e acho que sempre irá esperar –, que os personagens não terminem do mesmo jeito que começaram no início... Algumas mudanças devem acontecer. 

Essa visão ampla do arco narrativo de cada um permite que o escritor conduza a evolução dos personagens de forma mais eficaz, garantindo que suas ações sejam sempre fundamentadas em suas personalidades e vivências.


4. Facilidade no Processo de Escrita

Ao ter uma ficha detalhada de cada personagem, o escritor economiza tempo e evita bloqueios criativos. 

A qualquer momento, pode consultar a ficha para lembrar de características, habilidades ou preferências do personagem, o que facilita a escrita de diálogos, descrições e reações em diferentes situações.

Eu sou muito fã de que essas fichas sejam escritas à mão, ou que sejam impressas e deixadas ao lado do seu local de trabalho de escrita. 


5. Consistência no Universo Criado

Se sua história conta com muitos personagens, a ficha ajuda a manter a consistência entre eles. 

Isso é especialmente útil para histórias mais longas ou séries, em que o escritor precisa lembrar de uma variedade de detalhes e relações complexas entre personagens.

E não é somente para romances mais longos, roteiros ou séries – a ficha de personagens também é útil para contos (lembrando que o conto é uma narrativa com apenas 1 (um) conflito e não deve ter mais do que três personagens. 


Como Criar uma Ficha de Personagens: 

Criar uma ficha de personagens detalhada é como construir um alicerce sólido para a sua história, proporcionando consistência. Quanto mais informações você reunir sobre cada personagem, mais rica e coerente será a interação deles com o enredo. Lembre-se: faça a ficha de cada um deles: protagonista, coadjuvante, vilão, secundários; outra dica: elabore também uma ficha dos ambientes (casa, local de trabalho, dos territórios, etc.). 

Abaixo, compartilho as principais categorias e perguntas que você pode responder para montar fichas de personagens bem estruturadas e completas.


1. Informações Básicas

Essas são as informações preliminares que ajudam a identificar rapidamente o personagem. Não subestime essa parte; mesmo as informações aparentemente simples podem ter grande impacto na história.

Nome Completo: Inclua também possíveis apelidos e a história por trás do nome; por vezes os parentes costumam dar um apelido e os amigos dão outro. 

Idade, Data e local de Nascimento: Qual a idade do personagem no início da história? Essa data pode ter significado especial? O que há de importante no local do nascimento dele/dela? 

Gênero e Identidade de Gênero: Como o personagem se identifica e como isso impacta suas interações sociais?

Ocupação e Formação: O que ele faz para viver? Tem uma formação acadêmica ou habilidades técnicas que moldam suas ações? Como ele faz para ganhar a vida? Tem herança? Como é o seu mundo financeiro e econômico? 

Raça ou Etnia: Como a origem cultural e étnica influencia sua visão de mundo e as interações com outros personagens?


2. Aparência Física

A aparência física não é apenas sobre como o personagem se parece, mas também como ele é percebido pelos outros e como suas características físicas podem afetar suas ações.

Altura e Peso: É importante destacar proporções que possam ser relevantes em cenas de ação ou interação com outros personagens.

Tipo Corporal: Atleta, magro, robusto, acima do peso? Isso pode influenciar desde a saúde até a autopercepção.

Cor dos Olhos, Tipo de rosto, Cabelo, Barba: Inclua detalhes como texturas (lisos, encaracolados, grisalhos) e possíveis mudanças ao longo do tempo.

Características Marcantes: Cicatrizes, tatuagens, marcas de nascença ou outras peculiaridades visíveis.

Vestimenta: Qual é o estilo de vestir do personagem? Como ele se sente em relação a roupas ou acessórios?


3. Personalidade

Aqui está a essência do personagem, os aspectos que guiam suas decisões e interações. A personalidade define como o personagem reage a situações, lida com desafios e se relaciona com os outros.

Traços Positivos: Corajoso, leal, paciente, criativo, empático. Escolha os traços que o definem positivamente.

Traços Negativos: Impaciente, arrogante, ciumento, impulsivo. Aspectos que podem causar conflitos internos e externos.

Momentos em que ele fica preso na não-ação, paralisia, desconcertado: uma personagem pode ficar sem ação diante de um bebê abandonado, por exemplo. 

Manias e Hábitos: Pequenos detalhes como roer unhas, ajustar óculos constantemente, coçar o nariz quando está mentindo, ou bater o pé quando ansioso.

Medos e Fobias: O que paralisa o personagem emocionalmente? Fobias podem influenciar como ele reage em situações de perigo.

Sonhos, Ambições, Metas, Objetivos: O que o personagem deseja profundamente? Isso pode guiar suas ações durante a narrativa. Quais os elementos facilitadores e complicadores para que consiga chegar onde quer? Em tempo: pode ser coisas materiais, emocionais, afetivas, psicológicas. 


4. Vida Interna

Essa seção explora as complexidades emocionais e psicológicas do personagem, incluindo como ele vê a si mesmo e o mundo ao seu redor.

Autoimagem: Como ele se vê? Tem confiança ou inseguranças em relação à sua aparência, capacidades, ou status social? Tem problemas de viver se comparando com os demais? 

Moralidade e Ética: Ele tem um código moral rígido ou é mais flexível dependendo das circunstâncias? 

Lema de Vida ou Citações: O personagem tem uma frase que guia suas ações ou pensamentos? Isso pode ser útil para definir o tom dos diálogos.

Segredos: O personagem guarda algum segredo profundo? Isso pode ser uma ferramenta poderosa para criar tensão na trama.


5. História de Vida 

A história do personagem ajuda a entender suas motivações e o contexto que o moldou até o início da narrativa.

Infância: Onde cresceu? Como foram os primeiros anos de vida? Relacionamentos com os pais ou figuras parentais.

Adolescência: Como foi a transição para a vida adulta? Teve experiências traumáticas durante esse período?

Relações Familiares: Qual é a relação atual com seus pais, irmãos, ou parentes? Conflitos familiares moldam muitas decisões.

Eventos Marcantes: Houve alguma experiência transformadora que moldou o caráter ou a visão de mundo do personagem? (Perdas, amores, decepções, desencontros, mudanças drásticas).


6. Motivações e Metas

Essas são as forças motrizes que impulsionam o personagem durante a história. Saber o que ele deseja e o que teme é essencial para criar conflitos e desenvolvimento.

Motivações Primárias: O que move o personagem na história? Poder, amor, vingança, liberdade?

Metas a Curto Prazo: Objetivos imediatos que o personagem quer alcançar nos primeiros capítulos.

Metas a Longo Prazo: Grandes objetivos ou sonhos que podem ser revelados gradualmente durante a narrativa.

Obstáculos Internos e Externos: O que impede o personagem de alcançar suas metas? Medos internos, falhas, ou antagonistas.


7. Relacionamentos

Os personagens não existem isoladamente. Eles interagem com outros e essas conexões moldam quem eles são – e claro, os tornam mais humanos, independente se você está escrevendo uma biografia, autobiografia, autoficção, romance romântico, terror, mundo fantástico ou ficção científica.

Principais Relações: Quem são as pessoas mais importantes na vida do personagem? Amigos, familiares, parceiros/as amorosos.

Dinâmica com Outros Personagens: Como ele interage com outros protagonistas e antagonistas? Existe tensão, medo, inveja, incoerências, amizade, ou romance?

Inimigos ou Antagonistas: Existe alguém que o personagem vê como rival ou inimigo? Lembre-se: também faça detalhadamente a ficha de personagem do vilão/vilã/antagonista. 


8. Traços Comportamentais

A forma como o personagem age em determinadas situações pode dar pistas sobre sua personalidade e crescimento ao longo da trama.

Reação ao Estresse: Fica calmo e calculista ou perde o controle? Isso pode influenciar decisões críticas.

Estilo de Comunicação: O personagem é direto, sarcástico, evasivo, amigável? Suas palavras podem revelar muito sobre sua personalidade.

Resolução de Conflitos: Tende a ser agressivo, passivo, ou tenta evitar confrontos? 


9. Habilidades e Competências

Quais habilidades específicas o personagem possui? Essas capacidades podem ser úteis ou prejudiciais em diferentes pontos da trama.

Habilidades Físicas: Artes marciais, atletismo, dança, ou qualquer outro talento físico.

Habilidades Intelectuais: Alto QI, habilidades matemáticas, conhecimento de línguas, ou qualquer habilidade mental.

Talentos Especiais: Habilidades incomuns como tocar um instrumento, pintar, ou reparar máquinas.


10. Detalhes Extras

Religião e Crenças: Em que o personagem acredita? Religião, filosofia de vida ou espiritualidade podem moldar suas ações, pensamentos e posturas. 

Hábitos Alimentares: Vegetarianismo, alergias, preferências alimentares — algo relevante para a trama? 

Gostos e Preferências: O que o personagem gosta de fazer em seu tempo livre? Livros favoritos, hobbies ou lugares.

Sobre os clichês: Evitar personagens clichês é um dos maiores desafios para escritores que buscam criar figuras únicas e memoráveis. 

A primeira dica é fugir de estereótipos óbvios. 

Por exemplo, ao invés de desenvolver o "herói perfeito" ou a "vilã malvada sem nuances", pense em adicionar camadas de complexidade aos personagens. 

Dê a eles motivações ambíguas, falhas e contradições. Um herói pode ser cheio de dúvidas e inseguranças, e um vilão pode agir por um senso distorcido de justiça. Trabalhar essas nuances os torna mais humanos e imprevisíveis.

Outra forma de evitar clichês é explorar o inesperado. Subverta expectativas! Se um personagem parece seguir um caminho previsível, surpreenda o leitor com uma reviravolta. 

Ao invés de fazer o "mentor sábio" ser sempre a voz da razão, por exemplo, revele que ele tem segredos, se irrita com coisas tolas ou comete erros graves. 

Além disso, é essencial construir personagens baseados em suas experiências e personalidades únicas, e não apenas em funções pré-definidas dentro da trama.





Olá, eu sou Clene Salles, Ghost Writer, Copydesk, Tradutora, além disso, Presto Serviços de Mentoria Literária para Escritores/as Iniciantes. 
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segunda-feira, 16 de dezembro de 2024

Metalinguagem - 21 Ideias para Escritores Iniciantes

 Metalinguagem - 21 Ideias para Escritores/as Iniciantes 



O que é metalinguagem?

Imagine que você está brincando de desenhar e, em vez de desenhar um sol ou uma casa, você desenha alguém desenhando. É como se o desenho falasse sobre o próprio desenho!

Isso se chama metalinguagem: é quando o texto fala sobre como ele foi feito, sobre a própria escrita, ou até sobre o ato de escrever. Nos demais ramos artísticos, por exemplo, é um filme sobre o processo de fazer filmes, um espetáculo de dança onde os dançarinos precisam da colaboração do público que está assistindo para completar a coreografia, um museu que faz uma exposição sobre o seu próprio projeto arquitetônico, etc. 

Como ela pode ajudar escritores/as iniciantes?
Metalinguagem é uma ferramenta interessante porque faz você olhar para dentro da sua própria criatividade. Por exemplo:

  • Você pode escrever uma história sobre um personagem que está tentando escrever um livro e, enquanto isso, explorar as dificuldades e ideias que você mesmo enfrenta... Só que, escrevendo tudo isso!
  • Ou usar a metalinguagem para brincar com o leitor, explicando como está construindo a narrativa enquanto escreve.

Isso pode ajudar porque:

  1. Destrava o medo de errar: Falar sobre o processo de escrever pode tornar tudo mais leve e divertido e você pode, tranquilamente, escrever sobre seus próprios erros!
  2. Estimula a criatividade: É um jeito de brincar com palavras e ideias sem se preocupar tanto com regras.
  3. Ajuda a se entender como escritor: Ao escrever sobre o ato de escrever, você percebe o que funciona melhor para você. Como assim? Lembre-se, você é o primeiro leitor do seu texto, portanto, ao reler, revisar, você encontrará os movimentos nessa escrita que mais se encaixam com a sua personalidade como escritor.

É como usar um espelho para entender melhor como você se move — só que, no caso, o espelho são suas palavras! É uma forma divertidíssima para desenvolver a escrita criativa. 





21 Ideias para escritores/as iniciantes usando metalinguagem




1. Um/a escritor/a preso/a em seu próprio livro: Imagine um/a escritor/a que é magicamente transportado para o mundo que ele mesmo criou e tem que lidar com os personagens e eventos que escreveu.

 

2. O narrador cansado: Um narrador que resolve largar o trabalho no meio da história porque acha que os personagens estão sendo chatos demais.

 

3. Diálogo com o leitor: Crie um personagem que quebra constantemente a "quarta parede", conversando diretamente com o leitor e pedindo ajuda para resolver os conflitos da trama.

 

4. "Eu não sou uma ficção", gritou o personagem secundário: Escreva sobre um personagem (pode ser o protagonista, secundário, vilão - como queira) que descobre que é fictício. Ele fica furioso, se rebela, insufla uma rebelião entre os demais personagens. O caos é gerado. 






5. Manual fictício ou insira a ficha de personagem dentro da história: Inclua um manual, guia ou as fichas de personagens dentro da narrativa que explica como o mundo ou os personagens funcionam, enquanto os personagens discutem seu conteúdo.

 

6. A luta contra o bloqueio criativo: Transforme o bloqueio criativo em um vilão que o/a escritor/a precisa derrotar.

 

7. Discussão entre autor/a e personagem: Mostre diálogos entre o/a autor/a e seu protagonista, que questiona decisões narrativas, mudanças de personalidade ou o final da história.

 

8. Personagens disputando papéis na história: Imagine um grupo de personagens que discutem quem deve ser o protagonista ou como a história deve acabar.




 

9. As sobras de outras histórias: Narre a vida de personagens descartados de outras histórias, que se encontram em um "limbo criativo" e tentam convencer o/a autor a dar uma chance para eles.

 

10. Um livro dentro de outro livro: Inclua uma história fictícia dentro do enredo principal e mostre como ela influencia a trama ou os personagens entre um livro e outro dentro do próprio livro.

 

11. Um autor lendo críticas da sua história: Desenvolva uma trama onde o autor está lidando com críticas ou revisões de seu livro e como isso altera o que está sendo escrito.

 

12. Rascunho vivo: Um rascunho que ganha vida e começa a se rebelar contra as revisões do/a autor/a, tudo o que o/a autor/a corrige, o rascunho “descorrige”. E além disso, resmunga com o/a autor/a, porque ele está sendo prolixo, repetitivo, etc.

 




13. Uma história sobre títulos: Um conto onde o personagem principal está tentando encontrar o título perfeito para a própria aventura.

 

14. A história que se escreveu sozinha: Escreva sobre um livro que começa a escrever a si mesmo, sem a interferência do/a autor/a, tipo assim, um livro totalmente rebelde.

 

15. “Não quero que você me escreva!”, disse o final do livro: Mostre um/a autor/a lutando para finalizar seu livro porque o final parece não "cooperar".

 

16. A história que não queria ser escrita: escreva como a história tenta se esquivar, porque não quer ser escrita, seja por medo, vergonha, culpa, segredos inconfessáveis...




 

17. A busca pelo/a autor/a: Desenvolva um personagem (seria divertido se fosse o protagonista!) que percebe que tem um autor e parte em uma jornada para encontrá-lo... O que houve? O/a autor/a simplesmente fugiu!

 

18. Um conto que se desmonta: Construa uma história onde o texto começa a se desconstruir, com capítulos aparecendo fora de ordem, notas de rodapé invadindo a narrativa ou parágrafos se contradizendo.

 

19. O/a autor/a como personagem de outro/a autor/a: Imagine um escritor que descobre que ele mesmo é personagem em um livro escrito por outro autor.

 

20. O protagonista inacabado: Um personagem que reclama por ainda não ter um nome, aparência definida ou um propósito na história.


21. A ideia que fugiu: Narre a história de uma ideia que escapou da cabeça do escritor antes de ser escrita, o autor terá que iniciar sua aventura buscando o que esqueceu. 





Gostou deste conteúdo?
Creio que você irá se divertir, dará boas risadas escrevendo usando os exemplos de metalinguagem :) 
Me conte nos comentários :) 


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segunda-feira, 13 de abril de 2026

Entrevista com Júlio A. Filho - do Mickey a Sherlock Holmes

A jornada de um autor que viveu o universo Disney e hoje cria seus próprios universos



Se você cresceu lendo revistas em quadrinhos da Disney no Brasil, entre as décadas de 1970 e 1990, é bem provável que já tenha embarcado em uma história criada ou editada por Júlio de Andrade Filho sem saber. Durante mais de duas décadas na Editora Abril, ele não só roteirizou as aventuras de Pato Donald, Mickey e Zé Carioca, como viveu a experiência dos sonhos de qualquer fã: um estágio nos Estúdios Disney, em Burbank, Califórnia, onde respirou a magia e conviveu com os lendários artistas e roteiristas que davam vida aos personagens mais amados do mundo.

Mas a história dele não para na porta da caixa-forte do Tio Patinhas. Ao sair da Abril, ele transportou sua habilidade de contar histórias para o universo corporativo, criando desde fascículos sobre bonsai até revistas de passatempos ensinando como usar o cartão de crédito. Depois, como tradutor, deu voz a dezenas de romances, biografias e obras de ficção científica, mergulhando ainda mais fundo nos mecanismos da boa literatura.

Hoje, Júlio reúne todo esse conhecimento em sua própria obra. Nesta entrevista, ele nos conta sobre a transição da “linha de criação” dos quadrinhos para a gênese de seus mundos particulares. E que mundos! Ele nos apresenta uma ratinha estrategista, um raposinho que encontra jacarés espaciais, uma gatinha super-heroína chamada Vingadora Noturna, um planeta onde os oceanos subiram e afogaram as cidades, até uma detetive de 22 anos, descendente de Sherlock Holmes, com Asperger e um QI de 160.

Prepare-se para uma conversa fascinante sobre criatividade, disciplina e o outro lado dos bichos (e dos livros).


1. Você passou mais de 20 anos dentro da “indústria” da criação, primeiro na Disney/Abril e depois no mercado corporativo. Como essa experiência de  produção de conteúdo para a “massa” influenciou a maneira como você escreve seus próprios livros hoje? Existe um lado artesanal que você sente falta?

Olha, foi uma escola e tanto. Na Abril, aprendi uma coisa que nenhum curso se preocupa em ensinar: entregar no prazo. E com qualidade. A redação era uma “linha de montagem criativa”, onde aprendi tudo na prática, com os mais talentosos artistas e jornalistas reunidos num só lugar. E tive a oportunidade de passar por todas as funções – fui roteirista, revisor, editor e, por fim, diretor. Isso me deu uma visão 360 graus do processo. Você aprende a olhar para um texto não apenas como autor, mas como quem vai ter que revisá-lo, diagramá-lo, desenhá-lo e depois apresentar pro leitor uma história que faça sentido.

O lado artesanal que sinto falta? Com certeza existe. Nos quadrinhos Disney, você está lidando com personagens que têm décadas de história. O Pato Donald já tem uma personalidade definida, você não pode simplesmente decidir que, dali em diante, ele vai virar um detetive durão para sempre. Existe um “molde” onde você precisa encaixar sua criatividade, e isso era o lado “artesanal”, o desafio de construir um bordado que se encaixasse naquele “tapete”. A mesma coisa na área corporativa, há manuais a seguir. Nas traduções, de certa forma a mesma coisa, embora aqui você tenha mais liberdade para criar o “bordado”, porque você precisa traduzir e adaptar os textos. Nos meus livros, eu mesmo construo esse molde. Posso fazer uma ratinha estrategista, um raposinho que encontra jacarés espaciais, uma gatinha justiceira... Não tem manual. É libertador e assustador, ao mesmo tempo.

Lembro que uma vez, nos estúdios Disney em Burbank, vi um storyboard sendo rabiscado e refeito umas cinco vezes na minha frente. Perguntei ao artista, Al Hubbard (o cara que criou o Peninha, primo doido do Donald), o que estava acontecendo e ele me respondeu: “Olha só, se eu mudar o olhar, a expressão dele muda completamente e a cena fica com outro sentido”. Hubbard me ensinou ali que contar história é uma “ciência” milimétrica. E isso carrego comigo até hoje, especialmente quando tento descrever uma cena ou um personagem.


2. Entre fascículos para a Schering, livretos para a Aché e revistas sobre cartão de crédito, o que o mercado corporativo te ensinou sobre contar histórias para quem “não tem tempo”?

Clareza e promessa cumprida. Texto institucional precisa explicar sem enrolar e respeitar quem está lendo no intervalo do trabalho. Isso me obrigou a transformar bula e manual em narrativa…  metáforas simples, exemplos do dia a dia, e sempre um “para que serve” logo de cara. Foi um treino ótimo para a tradução (romances, biografias, FC): ouvir a voz do autor e entregá-la limpa, no ritmo certo.


3. De onde saiu a ideia de misturar um raposinho faminto com… jacarés espaciais? Existe a preocupação de também agradar os pais que vão ler junto?

A coleção O Outro Lado dos Bichos nasceu de uma pergunta: e se os animais vissem o mundo pelo avesso? No primeiro livro, uma ratinha esperta apazigua uma confusão no sítio, porque ela entende que bagunça é, muitas vezes, falta de escuta. No segundo, o raposinho sai para “um almoço qualquer” e encontra uma invasão de jacarés espaciais. É meu jeito de falar de medo do desconhecido com humor: os “invasores” viram espelho das nossas próprias trapalhadas. E no terceiro, a Vingadora Noturna, uma gatinha, enfrenta pequenas injustiças… Ela tem algo do tipo: coragem em tamanho portátil.



Quanto a agradar aos pais, essa é famosa armadilha do “leitor duplo”. Quem escreve para criança sabe que quem compra o livro é o adulto, mas quem decide se gosta é a criança. E os dois precisam sair satisfeitos.

Minha abordagem sempre foi escrever histórias que eu gostaria de ter lido quando criança, mas com camadas que um adulto também pode apreciar. No primeiro livro, da ratinha é esperta, não é aquela esperteza malandra, é uma esperteza de organização, de liderança. A mensagem é sutil: você não precisa ser o maior ou mais forte para resolver problemas.

Já no segundo, dos jacarés espaciais, entrego de bandeja o absurdo. Um raposinho que só quer um almoço e dá de cara com uma nave cheia de jacarés? É uma porta de entrada para a ficção científica, mas pelo viés do humor. É meu lado mais '‘Disney’' falando alto...

E o terceiro, A Vingadora Noturna, é minha homenagem aos super-heróis, mas com um pé no real. A gatinha luta contra injustiças, mas são injustiças do cotidiano, na casa onde a gatinha vive.

Quando eu escrevia na Abril, aprendi uma máxima que corria por lá e vinha, de forma adaptada, do próprio Walt Disney: “Criança não é boba, ela sabe quando você está subestimando ela”. Quantas e quantas vezes meus mestres na Abril, os artistas mais experientes, viviam apontando uma incoerência num roteiro meu. Às vezes eram detalhes pequenos, mas eles sempre tinham razão. Nunca mais esqueci: respeito ao leitor é a base de tudo.

 

4. Depois de décadas editando personagens icônicos, você criou a Isabelle Holmes, uma detetive com Asperger e QI de 160. Como sua experiência traduzindo romances e biografias ajudou a moldar uma personagem tão complexa?

A tradução para mim foi a melhor escola para um escritor. Ao traduzir romances e biografias, você meio que “desmonta” o pensamento de outros autores.

A Isabelle, protagonista do livro Onde a verdade se esconde, nasceu de uma inquietação minha: o que acontece quando você herda um sobrenome pesado como Holmes, tem um cérebro privilegiado, mas o mundo não foi feito para pessoas como você? Eu queria alguém que tivesse a lógica de Sherlock, mas com as vulnerabilidades de uma jovem moderna. O Asperger dá a ela uma lente única sobre o mundo, ela vê padrões que nós ignoramos. E eu quis criar uma trama onde o mistério não é apenas '‘quem matou’', mas como a mente dela processava o trauma e a verdade.



Procurei evitar dois clichês comuns: o do '‘gênio excêntrico que todo mundo acha engraçadinho’' e o da '‘pessoa com Asperger que precisa ser consertada’'. A Isabelle não precisa ser consertada. O mundo é que é confuso demais para ela. O QI 160 dela faz com que interagir com as pessoas seja como tentar decifrar um código que muda o tempo todo.

E o trauma veio naturalmente. Alguém com uma mente tão analítica, que perdeu a mãe cedo e carrega o peso de um sobrenome mítico… como ela não teria traumas? O segredo foi tratá-la como uma pessoa real, não como um '‘caso interessante’'. Ela é forte porque sobrevive, não porque é indestrutível. É vulnerável porque sente, não porque é frágil.

Durante a pesquisa, eu me lembrei de um dos primeiros livros que traduzi, que era a biografia de uma pessoa que tinha essa condição, e conversei com pessoas no espectro autista para entender como descrever certas reações sensoriais. Uma delas me disse sobre a filha: '‘Você sabe quando entra num ambiente e a música está alta, mas você consegue ignorar e conversar? Minha filha diz que é como se aquela música estivesse dentro da cabeça o tempo todo, e não tem como desligar’'. Essa imagem me acompanhou durante toda a escrita. A Isabelle ouve o mundo num volume que ninguém mais ouve.


5. Como foi o processo de criar seus próprios universos e personagens do zero? Houve um momento de “eureca” ou foi um trabalho mais gradual?

Foi gradual, com pequenas '‘eurecas’' pelo caminho. Uma vez, fui para Goiânia de carro, a estrada era longa e, de repente, o horizonte aparecia. Foi assim, foram vários desses momentos de ver o horizonte.

O primeiro foi quando decidi escrever O Outro Lado dos Bichos. Eu pensei: '‘Se eu fosse um bicho, o que ninguém sabe sobre mim, como eu vivo, o que eu faço?” Daí surgiu a ideia de mostrar o '‘outro lado’' – o lado que não aparece no documentário, no desenho animado. O rato não é só uma praga, a raposa não é só esperta, o gato não é só independente. Eles têm dilemas, medos, ambições.

O segundo '‘eureca’' foi com Riquezas do Brasil. Ali era um trabalho mais encomendado, mas que me permitiu viajar sem sair de casa. Pesquisar sobre o frevo, os Lençóis Maranhenses, Ouro Preto… foi um mergulho no Brasil que eu não conhecia de verdade. Aprendi, por exemplo, que o frevo tem mais de 120 passos catalogados. Cento e vinte! Isso é coreografia para uma vida inteira.




O terceiro '‘eureca’', o maior deles, foi a Isabelle Holmes de Onde a Verdade se Esconde. Eu estava traduzindo um romance de ficção científica, e o protagonista tinha uma mente muito analítica. De repente, pensei do nada: '‘E se Sherlock Holmes tivesse uma herdeira? E se ela fosse mais brilhante que ele, mas carregasse o peso de viver num mundo que não foi feito para o jeito dela pensar?” Aí a ficha caiu: eu não estava criando só uma detetive, estava criando uma pessoa. E pessoas não cabem num único '‘eureca’', elas se revelam aos poucos.

Sobre Terra Líquida, foram duas as motivações principais: com o aquecimento global e os oceanos subindo de nível o tempo todo, o que vai acontecer? A outra motivação foi algo que sempre me intrigou, que é como a escassez revela quem somos. Em Terra Líquida, o oceano não é apenas um cenário, é um “divisor de águas” social. Criei esse mundo para questionar até onde vai a nossa empatia quando o privilégio é, literalmente, estar acima do nível do mar? É um romance sobre a verticalização da desigualdade, onde o trabalho sobe a montanha, mas a dignidade muitas vezes fica à deriva nas balsas...




6. Para quem está começando a escrever ou para os leitores que te acompanham desde a Disney: qual o segredo para uma história se tornar imortal?

A honestidade emocional. Não importa se você está escrevendo sobre um raposinho em busca de almoço ou sobre uma detetive com QI de 160 enfrentando criminosos. Se o leitor sentir que aquele medo ou aquele desejo do personagem é real, ele não abandona o livro.

Escrever, para mim, tem sido um exercício de empatia. Aos 73 anos, percebo que o que me move hoje é o mesmo que me movia lá atrás, ao criar HQs com os personagens Disney: a vontade de contar uma história que faça alguém, por um momento, ver o mundo com outros olhos.

7. O futuro: você já passeou pela vida real (Riquezas do Brasil), pelo absurdo (os jacarés espaciais), pela distopia (o mundo inundado) e pelo suspense (Isabelle Holmes). O que podemos esperar de Júlio de Andrade Filho no futuro? Existe um novo universo aí na sua cabeça esperando para sair?

Stephen King disse uma vez: ‘A coisa mais aterrorizante que eu temo? Minha imaginação’.

 Ao escrever Terra Líquida, entendi exatamente o porquê: imaginei um mundo onde a humanidade perdeu o chão, literalmente. Esse projeto me persegue há anos, porque eu não queria explorar o desastre, mas a adaptação a ele.

O que resta da arte, da memória e do amor quando as cidades viram ruínas submersas? É uma distopia com uma ponta de esperança… ou talvez não! Todo mundo diz que a história deve ter uma continuação, ainda estou decidindo.

Sobre continuação, a detetive Isabelle Holmes com certeza terá continuação. Onde a Verdade se Esconde é apenas o primeiro caso dela, e já estou trabalhando no segundo livro. Nele, veremos um lado mais vulnerável e, ao mesmo tempo, mais feroz dessa moça. Sinto que Isabelle tem muito mais a dizer e eu, muito a descobrir sobre ela.

E tenho muitas ideias, uma delas já em gestação avançada, não deve levar nove meses para vir à luz… Ah, ah, ah!

Lembro de algo que ouvi de um roteirista veterano e que me confidenciou, quando eu estava começando nesse trabalho (vou citar aqui, mas não lembro se foram exatamente essas palavras): “Você nunca termina uma história; apenas a abandona num ponto que parece certo a você”. Na época, achei que era filosofia barata, daquelas de livrinhos de frases que a gente comprava nas bancas de jornal – quando ainda existiam bancas de jornal. Até pode ser que ele tenha lido num desses livrinhos. Ou pode ter lido numa entrevista do George Lucas (criador de “StarWars” e que vivia sendo entrevistado porque o filme tinha sido lançado com muito sucesso): “Um filme nunca é terminado, apenas abandonado.”

Seja qual for a origem da frase, hoje eu entendo que as histórias continuam vivas na cabeça de quem lê. E que meu trabalho é dar a elas o melhor ponto de partida possível; o resto do mergulho é com o leitor.


8. Soube que um roteiro seu foi reprovado... E parece que deu maior bafafá. É verdade? Me conte. 


Sim. O roteiro que foi "rejeitado" pela matriz da Disney (O Casamento do Pato Donald) e o que tentei fazer para não obedecer e o que aprendi (eu tentei subverter o universo de Patópolis com "O Casamento do Pato Donald", trazendo um tom mais maduro – com humor, claro – e definitivo que a Disney, óbvio, barrou. No começo, vi isso como censura à minha criatividade; mais tarde, entendi que era a proteção de um legado. Aprendi que, ao trabalhar com ícones, somos "curadores" de arquétipos, não apenas autores. Levei para a vida a lição de que o verdadeiro desafio do roteirista não é quebrar as regras de um mundo pronto, mas encontrar a própria voz dentro das limitações, entendendo que o "não" geralmente protege a perenidade da obra, enquanto o autor passa. Aprendi o desapego, que a ideia não era "minha". Aprendi que as grandes marcas vendem a "eterna juventude", digamos assim, e mudanças drásticas rompem o contrato com o público infantil).



Sabe, uma das lições mais duras que aprendi sobre o mercado editorial veio de um impasse com a própria Disney. Eu escrevi um roteiro para uma HQ que, na minha cabeça, mudaria o status quo do universo dos Patos: foi o Casamento do Pato Donald.


Eu queria que fosse real. Queria que o Donald e a Margarida finalmente subissem ao altar, tivessem filhos e que o universo Disney evoluísse com eles. Afinal, por que os personagens precisam ficar congelados no tempo?



Mas a Disney é implacável com o seu "cânone". Foram semanas de briga criativa. A posição deles era clara: "O Donald não pode casar, ele é um eterno namorado". No fim, para a história não ser engavetada, tive que ceder. Refiz o roteiro inteiro com um artifício clássico, conforme eles ordenaram: no final da história, o Donald acorda. Tudo aquilo — o altar, as alianças, a vida de casado — tinha sido apenas um sonho.


Foi agridoce. Por um lado, vi a história ser publicada no Brasil e no mundo todo; por outro, ficou aquela sensação de que o Donald ainda me deve esse final feliz.

Esse episódio me ensinou muito sobre o equilíbrio entre a nossa paixão criativa e as regras do jogo. No começo, vi isso como censura à minha criatividade; mais tarde, entendi que era a proteção de um legado. Aprendi que, ao trabalhar com ícones, somos "curadores" de arquétipos, não apenas autores. Levei para a vida a lição de que o verdadeiro desafio do roteirista não é quebrar as regras de um mundo pronto, mas encontrar a própria voz dentro das limitações, entendendo que o "não" geralmente protege a perenidade da obra, enquanto o autor passa. Aprendi o desapego, que a ideia não era "minha". Aprendi que as grandes marcas vendem a "eterna juventude", digamos assim, e mudanças drásticas rompem o contrato com o público infantil.


9. Vi no seu portfólio que você aceitou O desafio de transformar “cartão de crédito” em algo divertido para uma revista de passatempos...

O desafio era fazer um jovem se interessar e entender a fatura do cartão de crédito tanto quanto se interessa por um game. Chegamos à conclusão que o segredo não era “ensinar”, mas '‘desafiar’'. Em vez de um manual, usamos na revista as páginas espelhadas: de um lado, o conteúdo; do outro, a cruzada ou caça-palavras. A mágica acontecia no meio: para preencher a grade, ele precisava '‘caçar’' a lógica no texto. Então, a educação bancária virou uma recompensa imediata. Entendi ali que a inteligência narrativa é a arte de esconder o aprendizado dentro do entretenimento, fazendo o leitor sentir que descobriu a solução sozinho.


10. É lenda urbana ou é verdade que o tradutor/escritor é solitário? 

Mais ou menos... Vamos lá! Ela acontece naquele silêncio, naquele vácuo, entre o que o autor sentiu ao escrever e o que o leitor brasileiro vai receber. São horas em busca de uma palavra, aquela que vai dar o tom exato de uma melancolia em um romance ou o peso técnico de uma descoberta, em uma ficção científica. É um trabalho invisível e solitário, onde você briga com o dicionário para não trair a intenção original, vasculha sem parar os sinônimos para não usar palavras repetidas. Foi quando assumi que o papel do tradutor não é apenas converter idiomas, mas ser uma ponte emocional. A solidão só acaba quando encontro a palavra ou expressão exatas e percebo que, embora o autor e o leitor jamais venham a se conhecer, eles finalmente estão falando a mesma língua, graças à minha escolha.


Quer conversar com o Júlio A. Filho?

Júlio de Andrade Filho – Tradutor Inglês/Português, Escritor, Roteirista de HQ, Blogueiro
📧 jandradefilho@gmail.com | 📲 WhatsApp: +55 11 99403-2617

Blog O Treco Certo  (Há muitos artigos super por lá! Vale maratonar!) 

Perfil do autor na Amazon.






Sobre mim :) 

Olá! Eu sou Clene Salles, Ghost Writer, Copydesk, Tradutora (Espanhol/Português), presto serviços de Mentoria Literária para Escritores/as Iniciantes.


Confesso que, de vez em quando, adoro entrevistar pessoas; e foi uma alegria e uma tremenda honra conversar com o Júlio de Andrade Filho, que aliás foi o meu grande mentor no setor editorial. Júlio, muito obrigada! 

(Como freelancer prestei serviços para as seguintes editoras: Melhoramentos, Abril, Larousse, Planeta do Brasil, Prumo, Ediouro, Letraviva, Évora, Girassol, Ave-Maria entre outras; e com Projetos Especiais Editoriais no Peru, até o momento, trabalhei em mais de 150 publicações.)

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